31 de out de 2011

Semana sobre dislexia começa no final de outubro

O Projeto Individualmente, iniciativa de fonoaudiólogos e educadores para auxiliar jovens com transtornos específicos de aprendizagem, realizará no dia 3 de novembro, às 19h, uma palestra pela internet sobre dislexia.

Na ocasião, será exibido um documentário que retrata o distúrbio na perspectiva de quem o vivencia. Os fonoaudiólogos Jaime Zorzi, Ana Luiza Navas e Rubens Wajnsztejn irão discutir o assunto. Em seguida, será aberta uma sala de bate-papo (chat) para que o público faça perguntas e comentários. A palestra é gratuita. O preenchimento do formulário para acessar a plataforma online deve ser feito clicando aqui.

Esse evento faz parte de uma série de atividades programadas para a Semana de Divulgação sobre Dislexia, que acontece entre 31 de outubro e 6 de novembro e é organizada pelo Instituto ABCD.

18 de out de 2011

Parecer sobre o uso e a recomendação do uso do Soro Fisiológico


SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA
Departamento de Motricidade e Funções Orofaciais
Parecer sobre o uso e a recomendação do uso do Soro Fisiológico


Com o intuito de saber se para usar o soro fisiológico, para a limpeza das narinas, é
necessário receita médica, ou se qualquer pessoa está apta para indicar o uso do soro, ou
mesmo para utilizá-lo, foi realizada ampla pesquisa para saber o que os especialistas falam
sobre o assunto, na área de Motricidade Orofacial.
Segundo vários, médicos pediatras e otorrinolaringologistas brasileiros e de outros
países, o uso do soro fisiológico para a limpeza da cavidade nasal é algo que deveria ser feito
todos os dias, por todos os indivíduos.
A “orientação” é feita aos pais, para que os mesmos façam a higiene nasal dos seus filhos, e
também é feita a todas as pessoas que apresentam algum tipo de desconforto na cavidade
nasal, como obstrução, coceira, coriza etc. Diferentemente, em relação ao uso de
medicamentos, onde não há orientação do uso dos mesmos, sem que haja acompanhamento
médico, o soro fisiológico se tornou uma orientação de senso comum.
Colocamos, como exemplo, alguns sites que fazem orientação do uso do soro fisiológico:

• http://www.ocora.com.br/default.asp

Quando minha rinite está ruim, os medicamentos ajudam muito pouco: a melhor atitude é evitar as crises. Depois que a crise já se iniciou, os medicamentos não funcionam tão bem, e você demora para melhorar dos sintomas. Para evitar as crises, use a higiene ambiental e a prevenção, evitando contato com poeira, substâncias químicas, cheiros fortes, perfumes. Faça bastante lavagem nasal com soro fisiológico ou alguma solução salina para lavagens nasais, para evitar que os antígenos alérgicos fiquem em contato com o nariz, assim evitando as crises. Mas, quando começam os sintomas de crise, então você precisa consultar um otorrinolaringologista ou alergista de sua confiança.

http://www.rinologia.org.br/pergunteEspecialista_detalhes.asp?id=3

• http://iatreion.warj.med.br/higiene.asp
Higiene nasal
A cavidade nasal é a porta de entrada de grande parte das infecções respiratórias,
assim como da rinite, da asma e de outras doenças; portanto, a simples limpeza
nasal constitui uma forma de tratamento (ou de proteção) simples e eficaz. Esse
procedimento é também obrigatório antes do uso de qualquer medicação aplicada
diretamente nas narinas.

Usa-se o soro fisiológico (cloreto de sódio a 0,9%) líquido em bebês e crianças muito
pequenas, e o soro fisiológico em spray (Sorine SSC, Salsep, Rinossoro SIC Spray)
em crianças grandes e adultos.
aplique o soro fisiológico nas narinas, ao acordar, quantas vezes for necessário, e
aspire aos poucos;
depois, assoe o nariz suavemente, usando as duas narinas ao mesmo tempo;
repita o procedimente 3-4 vezes/dia, todos os dias;
em épocas de clima seco, é preciso molhar as narinas com a maior freqüência
possível.
Não recomendo o soro fisiológico "feito em casa", uma vez que qualquer engano na
quantidade de cloreto de sódio pode irritar a mucosa nasal. Também não se deve
guardar frascos de soro fisiológico na geladeira; é mais seguro comprar pequenos
volumes e abrir, semanalmente, um frasco novo.

• http://www.eric.thuler.com.br/index.php?option=content&task=view&id=23
Como Limpar o Nariz de seu filho

APRENDA COMO FAZER PARA LIMPAR O NARIZ DE SEU FILHO. HIGIENE DO NARIZ: É muito importante sabermos como limpar o nariz de nossos filhos. A limpeza nasal adequada pode prevenir doenças respiratórias e ajudar no tratamento das rinossinusites, como nas gripes e resfriados. Removendo as secreções: Crianças menores (ou lactentes), ou aquelas que ainda não sabem como assoar o nariz: deve-se fazer a higienização nasal com soro e, com cuidado, usar uma haste com algodão na extremidade para retirar as secreções da parte mais externa das narinas. Nunca introduzir profundamente a haste. Crianças maiores: Peça a seu filho para assoar levemente o nariz. Em caso de obstrução nasal, não se deve assuar o nariz com força. O hábito de assuar fortemente quando o nariz está entupido pode enviar secreções para os ouvidos ou para as cavidades paranasais. Lavando o nariz das crianças. Promover um ambiente tranqüilo; Explicar para a criança a importância da limpeza do nariz e como ela será feita; Aquecer o soro fisiológico ou similar até a temperatura corporal. Pode também, friccionar o vidro entre as mãos para aquecer o conteúdo; quando aquecer em banho-maria ou no micro-ondas, avaliar a temperatura do soro no dorso da mão; Cuidados com o soro fisiológico Armazenar em geladeira. Renovar a cada 07 dias. Não deixar o conta-gotas entrar em contato com o frasco de soro (colocar o soro da limpeza em um pequeno copinho e desprezar o soro que sobrar). Algumas embalagens em formato de spray do soro fisiológico foram desenvolvidas para se evitar a contaminação e para facilitar a limpeza nasal. Além disto, o fluxo contínuo de ar pelo nariz é um dos responsáveis pela retir ada das secreções que são formadas dentro do nariz. Portanto, para que as crianças tenham um nariz limpo é preciso que elas respirem adequadamente.

• http://www.drsandrocoelho.com.br/posop.htm

Cuidados com o nariz = HIGIENE NASAL
A limpeza nasal com soro fisiológico é sempre interessante. A temperatura ideal é a ambiente, em locais de clima quente como o norte-nordeste brasileiro. Em locais de clima frio, principalmente durante o inverno, o ideal é fazer um leve aquecimento em banho-maria. O soro vai auxiliar o mecanismo de limpeza do nariz, removendo as crostas que se formam no pós-operatório e melhorando a umidade da mucosa nasal. Alguns médicos têm optado pelo uso do soro hipertônico a 3%, por diminuir a formação das crostas.

• http://www.soualergico.com.br/rinite.htm

• http://www.metodista.br/rronline/ciencia-e-saude/tempo-seco-e-frio-exige-medidas-especiais-para-evitar-o-aparecimento-de-alergias

• http://www.med.umich.edu/1libr/pa/pa_nasalirr_hhg.htm

• http://www.revolutionhealth.com/articles/cleaning-nasal-passages-with-salt-water/sig55807

• http://www.laryngoscope.com/pt/re/laryngoscope/abstract.00005537-200007000
00023.htm;jsessionid=JTkJRf7b5h6gNgj5pHpvLYTQhgTxJkLPHjpy4fhRR9ZrvJfNkQGT!1
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Clinical Study and Literature Review of Nasal Irrigation.
Independent Papers

• Laryngoscope. 110(7):1189-1193, July 2000. Tomooka, Lance T. MSIV; Murphy, Claire
PhD; Davidson, Terence M. MDAbstract:
Objectives/Hypothesis: Nasal disease, including chronic rhinosinusitis and allergic rhinitis, is a significant source of morbidity. Nasal irrigation has been used as an adjunctive treatment of
sinonasal disease. However, despite an abundance of anecdotal reports, there has been little
statistical evidence to support its efficacy. The objective of this study was to determine the
efficacy of the use of pulsatile hypertonic saline nasal irrigation in the treatment of sinonasal
disease.
Study Design: A prospective controlled clinical study.
Methods: Two hundred eleven patients from the University of California, San Diego (San Diego,
CA) Nasal Dysfunction Clinic with sinonasal disease (including allergic rhinitis, aging rhinitis,
atrophic rhinitis, and postnasal drip) and 20 disease-free control subjects were enrolled. Patients irrigated their nasal cavities using hypertonic saline delivered by a Water Pik device using a commercially available nasal adapter twice daily for 3 to 6 weeks. Patients rated nasal disease- specific symptoms and completed a self-administered quality of well-being questionnaire before intervention and at follow-up.
Results: Patients who used nasal irrigation for the treatment of sinonasal disease experienced
statistically significant improvements in 23 of the 30 nasal symptoms queried. Improvement was
also measured in the global assessment of health status using the Quality of Well-Being scale.
Conclusions: Nasal irrigation is effective in improving symptoms and the health status of patients with sinonasal disease.
(C) The American Laryngological, Rhinological & Otological Society, Inc.

• http://www.co-otolaryngology.com/pt/re/cooto/abstract.00020840-200402000-
00004.htm;jsessionid=JTkCJYRtMT6pcfYxQP2VbzTJJGdRjhprrJyx82SpffJT7VHzLvr1!16009
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Nasal irrigations: good or bad?
Nose and paranasal sinuses
Current Opinion in Otolaryngology & Head & Neck Surgery. 12(1):9-13, February 2004. Brown,
Christopher L.; Graham, Scott M.
Abstract:
Purpose of review: Nasal irrigations are often mentioned as adjunctive measures in treating
many sinonasal conditions. Despite their widespread use, much mystique and uncertainty exist
about the indications and therapeutic mechanisms of nasal irrigations. Anecdotal evidence and
poorly controlled studies add to the confusion. Recent evidence challenges some of the
assumptions underlying the use of nasal irrigations.
Recent findings: Studies of nasal irrigations continue to report the benefits in managing
sinonasal complaints. Apart from improved patient symptomatology, prescription medication use
is often decreased. When nasal irrigations are combined with other medical modalities, patients
with chronic sinusitis may not require surgical intervention as often. In particular, patients using hypertonic saline nasal irrigations reported better outcomes. Different devices and techniques exist. Positive-pressure and negative-pressure methods are probably more effective than nebulizers. Furthermore, the popular belief that nasal irrigations need to be sterile is in question.
Summary: Nasal irrigations should no longer be considered merely adjunctive measures in
managing sinonasal conditions. They are effective and underutilized. Some of the persisting
unanswered questions will only be answered by further research.
(C) 2004 Lippincott Williams & Wilkins, Inc.

Como podemos observar, o uso de soro fisiológico é recomendado a todos. Portanto não
há nenhum problema se o fonoaudiólogo também indicar, visto que esse é um procedimento de
senso comum.

Dra Irene Queiroz Marchesan e Fga. Ms. Lilian Krakauer
Coordenadoras do Comitê de Motricidade Orofacial

Dra. Débora Cattoni e Dra. Fernanda Sassi
Coordenadoras do Departamento de Motricidade e Funções Orofaciais da SBFa

Rua Barão do Bananal, 819 - São Paulo – SP - 05024-000 - Telefone/ Fax: (0XX11) 3873-4211
e-mail: socfono@terra.com.br site: www.sbfa.org.br

4 de out de 2011

Fonoaudiologia e o seu papel junto à inclusão escolar

Diferentes áreas do conhecimento estudam a aprendizagem e o desenvolvimento humano. Entender como o ser humano se desenvolve é importante para a compreensão e atuação com pessoas que buscam Atendimento Educacional Especializado (AEE).


De acordo com a RESOLUÇÃO CFFa nº 309, de 01 de abril de 2005 dispõe em seu Art. 1º que cabe ao fonoaudiólogo, desenvolver ações, em parceria com os educadores, que contribuam para a promoção, aprimoramento e prevenção de alterações dos aspectos relacionados à audição, linguagem (oral e escrita), motricidade oral e voz e que favoreçam e otimizem o processo de ensino e aprendizagem, o que poderá ser feito por meio de capacitação e assessoria, podendo ser realizadas por meio de esclarecimentos, palestras, orientação, estudo de casos entre outros; planejamento, desenvolvimento e execução de programas fonoaudiológicos; orientações quanto ao uso da linguagem, motricidade oral, audição e voz; observações e triagens fonoaudiológicas, com posterior devolutiva e orientação aos pais, professores e equipe técnica, sendo esta realizada como instrumento complementar e de auxílio para o levantamento e caracterização do perfil da comunidade escolar e acompanhamento da efetividade das ações realizadas e não como forma de captação de clientes; ações no ambiente que favoreçam as condições adequadas para o processo de ensino e aprendizagem; e contribuições na realização do planejamento e das práticas pedagógicas da instituição.

Já o Art. 2º refere que é vedado ao fonoaudiólogo realizar atendimento clínico/terapêutico dentro de Instituições de educação infantil, ensino fundamental e médio, mesmo sendo inclusivas; e que a relação do fonoaudiólogo com a escola poderá ser estabelecida por meio de acompanhamento de caso (s) clínico(s) de sua responsabilidade instituindo uma atuação exclusivamente educacional.
Reforçando, a resolução número 387 do CFFa de 18 de setembro de 2010, reconheceu e reforçou que o profissional Fonoaudiólogo Educacional deve atuar no âmbito educacional desenvolvendo ações que possibilitem a aprendizagem e o diagnóstico de possíveis alterações na aprendizagem, devendo encaminhar o aluno à terapia extracurricular.

Assim, partindo do pressuposto que “educar é um processo de transposição conjunta na convivência, no qual o aprendiz transforma-se em comunhão com os seus professores e companheiros em seu espaço educacional” (MORAES, 2008) e da importância da atuação em conjunto do professor com profissionais de diferentes áreas (psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e neuropsicólogos), dentro de uma atitude transdiciplinar, pode-se favorecer as contribuições destas potencializando a compreensão do AEE como uma ação conjunta de educação.

E, ao reconhecermos que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, a Fonoaudiologia enquanto ciência assume importante função no debate sobre a sociedade contemporânea e também a respeito do papel da escola na superação da exclusão. A Fonoaudiologia passa então a ser repensada, implicando uma mudança estrutural para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas.

Nesta perspectiva, o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, que acompanha os avanços dos conhecimentos e das lutas sociais, visando construir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos, garantindo o Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos sistemas públicos e privados do ensino.

A Fonoaudiologia bem aplicada melhora a comunicação dos alunos e contribui para avanços no aprendizado. Em vários municípios brasileiros, inclusive em Pitanga/PR, a Fonoaudiologia participa de ações diretamente ligadas à Política Nacional de Educação Especial vigente no país, desenvolvendo consultoria e assessoria fonoaudiológica.

Assim como os profissionais avaliadores educativos (Pedagogo, Psicopedagogo e Psicólogo), o Fonoaudiólogo é fundamental no ambiente educacional para o diagnóstico de problemas de aprendizagem, principalmente na alfabetização, que muitas vezes não são descobertos pela equipe; e tão importante quanto o diagnóstico do problema, é o acompanhamento educacional de cada aluno dentro da escola, por isso é essencial que a equipe pedagógica e o fonoaudiólogo estejam juntos no processo de avaliação e planejamento educacional, principalmente quando se trata de alunos com deficiências que estão inclusos.

Cabe ressaltar que, segundo o Art. 4 da Resolução do CEE n 194 (2005), é necessário considerar cotidianamente, quanto ao processo de avaliação da aprendizagem escolar, a efetiva presença e a participação do aluno nas atividades escolares, sua comunicação com os colegas, com os professores e com os agentes educativos, sua sociabilidade, uma capacidade de tomar iniciativa, de criar e de apropriar-se dos conteúdos disciplinares inerentes à sua idade e série, visando à aquisição de conhecimentos, desenvolvimento das habilidades de ler, escrever e interpretar, de atitudes e de valores indispensáveis ao pleno exercício da cidadania.

Além da avaliação e do planejamento pedagógico, orientações são passadas em reuniões e visitas periódicas aos professores que trabalham diretamente com alunos da rede pública com um direcionamento especial, com foco na inclusão dos estudantes com necessidades educacionais especiais. As ações buscam o desenvolvimento das habilidades de comunicação, influenciando positivamente na inclusão, melhorando o aprendizado e a socialização dos alunos.

Neste sentido, o AEE deve ser iniciado pela (re)construção da linguagem do educando. E por que da linguagem? Porque “a função da linguagem é a comunicativa. A linguagem é, antes de tudo, um meio de comunicação social, de enunciação e compreensão” (VYGOTSKY, 2001). E tendo em vista a importância da comunicação humana, é da competência do fonoaudiólogo desenvolver programas de aperfeiçoamento e aprimoramento da linguagem oral e escrita, das funções cognitivas e dos aspectos miofuncionais orofaciais e cervicais (CFFa, 2002).


Assim, são atendidos alunos com diversos tipos de deficiências e esse universo exige bastante preparo por parte dos professores, pois os mesmos entram em contato, nas salas de recursos multifuncionais, com alunos que apresentam deficiência intectual, altas habilidades e superdotação, transtornos globais, deficiência auditiva e visual.
Portanto, a Fonoaudiologia Educacional tem crescido e, cada vez mais, o papel do fonoaudiólogo na Rede Municipal de Educação tem se destacado, especialmente no âmbito educacional, proporcionando conhecimentos aos profissionais envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, vislumbrando-se uma educação de qualidade a todos.

30 de jun de 2011

Discutiindo Atendimento Educacional Especializado AEE



Reportando-se à minha realidade educacional, vejo que a questão da inclusão, mais especificamente em relação à educação da pessoa portadora de deficiência, ainda está começando a se tornar independente. A pouco menos de 2 anos que a realidade a qual pertenço está se voltando às diferenças individuais, até então ainda existiam classes especiais dentro das escolas, os alunos encontravam-se isolados, segregados, abandonados. Era feito o trabalho individualizado com o aluno, o mesmo não tinha momentos de interação ou contato com outros alunos, não se dava voz ou vez à essas pessoas ou a quem se relacionava com esses mesmos.
O ponto de vista tem mudado, já que agora temos alunos inclusos nas mais diversas deficiências, os ambientes onde esses alunos estudam foram replanejados, tornando-os mais acessíveis, começaram a haver mais discussões de casos, reuniões com os pais e professores para adequar as propostas pedagógicas à essas crianças que estão inseridas em salas comuns. No entanto, ainda há muitas barreiras, como falta de materiais didáticos, adaptações arquitetônicas na maioria das escolas, professores especializados e intérpretes, entre outros, que ainda desfavorecem o livre acesso do portador de deficiência. E o pior de tudo, há ainda preconceito. Muitas escolas não aceitam esses alunos, os vêem como pesos, alguns com pena, outros não os querem naquele local, pois acham que eles acabam atrapalhando ou então gerando mais trabalho, como os mesmos se colocam.
Infelizmente essa realidade ainda é muito aquém do que queremos como educadores, como pessoas que acreditam no potencial das outras pessoas, que não vêem como obstáculo uma deficiência ou uma limitação, mas que vê a pessoa como pessoa, que tem direitos, deveres, sonhos, vontades, que precisam ser vistas como individuo único, assim como todos os outros que não apresentam essas mesmas dificuldades tão enaltecidas como problemas.
As regulamentações de leis e a aplicação delas, assim como as formações de profissionais capacitados, a mudança de olhar são os pontos chave para que essa realidade mude definitivamente. Porém, vejo que ainda levará um tempo para que haja as devidas mudanças. As pessoas precisam mudar no sentido de aceitar o próximo como a si mesmos, enxergar no outro o que enxergam em si, as suas qualidades, seus defeitos, suas potencialidades e suas limitações, aí sim as coisas começarão a acontecer de verdade.

25 de abr de 2011

SABER FALAR
Se, por um lado, a natureza, sem discriminar nossas condições sociais, regionais e econômicas, nos dotou de uma capacidade para falar, por outro lado, o homem, com toda sua “sabedoria” e capacidade classificatória, nos dividiu em dois grupos de falantes: os “bons” e os “maus”. No grupo dos bons falantes, costumam ser colocados aqueles que têm um vocabulário mais rico e diversificado, que dominam uma gramática mais formalizada, mais culta, que são capazes de fazer concordâncias com maior precisão e que apresentam uma fala com “todos os erres e com todos os esses”, conforme dito popular. Em outras palavras, geralmente as pessoas consideradas como bons falantes são aqueles que apresentam graus mais elevados de letramento e de influência de padrões da linguagem escrita sobre seus padrões de oralidade. Isto quer dizer que há uma tendência de se incorporar, na oralidade, uma série de aspectos e formalidades que vêm da escrita. Portanto, chegar a ter uma “boa fala”, não é um pré-requisito indispensável para aprender a escrever bem. Na realidade a “boa fala” é conseqüência de um longo processo de letramento que pode vir a produzir modificações na linguagem oral. Isto significa que alguém que venha de um meio letrado e que tenha oportunidade de atingir graus mais elevados de educação é um forte candidato a participar deste grupo. Não precisamos lembrar que essas condições são fortemente dependentes de fatores sociais e econômicos. Pensando em termos de toda a população, somente uma minoria terá acesso a elas. Essas circunstâncias especiais levam a “boa fala” a ser vista como uma marca de prestígio, que diferencia, no caso favoravelmente, as pessoas: elas são cultas, inteligentes, bem instruídas, letradas e daí por diante.
Dada tal divisão, o grupo dos “maus falantes” ou dos que falam “errado”, por sua vez, apesar da impropriedade do termo, deveria, teoricamente, estar reservado àqueles que, por alguma razão, encontram limitações reais que comprometem suas capacidades de compreensão e expressão da linguagem. Este seria o caso, por exemplo, de alterações neurológicas, mentais, anatômicas, e tantas outras. Entretanto, tal grupo se caracteriza por uma grande elasticidade, englobando qualquer um que não fale de acordo com os princípios da norma considerada culta, e esse é o caso de muitas variantes lingüísticas, de diferentes regiões, que compõem a chamada “língua portuguesa”. Dessa forma, vemos uma tendência marcante e explícita de se considerar, como pessoas que falam errado, que são maus falantes, aquelas que apresentam um padrão lingüístico de determinadas regiões, principalmente as que são pobres. Como tal, esses padrões são marcados pelo desprestígio: a pessoa é considerada intelectualmente inferior, analfabeta, inculta, iletrada, ou seja, carrega consigo as marcas de sua origem social, econômica, geográfica e cultural. E o que é mais curioso, aqueles que são colocados neste grupo são julgados, muitas vezes, como se fossem os responsáveis pela própria condição, como se, pobreza e analfabetismo fossem uma questão de opção de vida.



Existe, portanto, uma tendência de se considerar certas formas de linguagem como superiores porque são tidas como melhores e mais sofisticadas e outras de serem consideradas inferiores, imperfeitas, marcadas por muitos erros. Tenho constatado, com uma freqüência muito alta, este tipo de crença em meus encontros com educadores, e também, para minha surpresa, entre alguns fonoaudiólogos que parecem não estar bem preparados para distinguir entre o que é patologia e o que é variação lingüística ou regionalismo.
Deveria estar claro que todas as línguas apresentam variações. Não há língua homogênea. Mesmo em países pequenos pode-se encontrar uma grande número dos chamados dialetos. Não há homogeneidade nas línguas, elas se caracterizam pela diversidade, que tem raízes históricas. Por exemplo, o inglês falado nos Estados Unidos é diferente do inglês da Inglaterra. Na própria Inglaterra, assim como nos Estados Unidos, não existe um padrão único de inglês. No Brasil encontramos variações no português determinadas pela própria colonização. Por exemplo, o português do sul teve forte influência da imigração alemã e italiana. O português do nordeste parece ter sofrido maiores influências dos índios, negros e portugueses. Enfim, estas variações permitem identificar o falante em termos da região da qual procede, assim como seu possível nível
econômico e de instrução. Em todo o mundo temos o mesmo fenômeno das variações. E também em todo o mundo encontramos determinados padrões que são tomados como cultos, ou seja prestigiados e outros tomados como incultos, que são desprestigiados.
É importante que se compreenda que maior ou menor prestígio não significa língua superior ou inferior. O prestígio é marcado por condições de poder econômico e cultural de um grupo ou região e estas podem ser temporárias. Não há, em termos de língua, superioridade ou inferioridade. Todas as línguas, em todas suas formas e variações, cumprem perfeitamente seu papel de permitir a comunicação entre as pessoas. Da mesma maneira, uma criança, ao assimilar a língua do ambiente no qual vive, dá mostras de que tem uma boa capacidade lingüística, independentemente do prestígio da língua que ela está aprendendo. Diremos que a criança tem uma dificuldade de fala ou linguagem quando não consegue adquirir, adequadamente, a língua falada por
sua comunidade, e não outra variante qualquer que possa estar sendo considerada como a ideal ou como a melhor.




A ADEQUAÇÃO Á REALIDADE
Muitas crianças chegam à escola correndo o risco de serem marcadas como mau falantes, portadoras de uma linguagem inferior, uma vez que aquilo que os educadores tendem a valorizar é uma linguagem idealizada e formalizada: a “língua culta” ou “padrão”. Tomada como uma espécie de pré-requisito para o domínio da língua escrita, essa é a linguagem que se espera que o aluno tenha para poder ter sucesso na alfabetização. Como já apontamos, aqui reside um grande engano. O acesso a essa língua mais elaborada ou normatizada torna-se possível com o letramento. Dessa forma, se o que se deseja é que as crianças possam vir a dominar esse padrão lingüístico, não é
o tipo de regionalismo ou variante lingüística com a qual o aluno chega na escola que deve ser a grande preocupação, como se isto fosse um fator realmente limitador da escolarização. Deve-se prestar atenção e investir naquilo que realmente é fundamental: garantir programas que levem em conta a realidade lingüística e as histórias de vida das crianças. E acima de tudo, programas que realmente atinjam metas em termos de ensino, que se preocupem em garantir conteúdos para serem expressos numa “boa linguagem”.


Essa é a nossa realidade. Um país muito grande, com muitas diferenças do ponto de vista lingüistico, social, cultural, econômico. Nosso grande problema, na realidade, não deveria ser o de ter que lidar com as diferenças. Infelizmente, o nosso grande problema é não haver uma real mobilização no sentido de diminuir as desigualdades, principalmente econômicas. As ações educacionais não podem se limitar à simples escolha de métodos. Elas devem ser políticas, no sentido de promoverem mudanças de atitudes e de objetivos. Tem que haver uma valorização da educação porque ela pode ser uma das grandes armas para a melhoria da condição social e econômica.




A educação necessita de investimentos, entre eles, obviamente, encontram-se prédios e equipamentos. Mas acima de tudo, necessita de professores melhor preparados, que compreendam o que é alfabetizar, o que é linguagem, o que é variação e o que pode vir a ser um real distúrbio, principalmente para ser capaz de preveni-los. Que saibam lidar com o que estamos chamando de diferenças e que estejam equipados, do ponto de vista de conhecimentos, para desenvolver programas que possam “estimular” efetivamente a aprendizagem e o uso da escrita e da leitura e, dessa forma, também fornecer, de modo continuado, novos modelos que podem ser incorporados à linguagem oral.



O PAPEL DOS FONOAUDIÓLOGOS
Uma pergunta que pode ser feita é o que os fonoaudiólogos têm a ver com a educação? Tenho visto muitas pessoas respondendo que a relação está no fato de que existem crianças que apresentam dificuldades em termos de linguagem oral e que isso interfere na alfabetização, ou que apresentam certas alterações na escrita envolvendo erros de natureza auditiva, por exemplo, e que deveriam ser tratados por este profissional. Também tenho visto argumentos a respeito da importância das “triagens fonoaudiológicas” para detectar e prevenir problemas que futuramente podem interferir na aprendizagem escolar. A rigor, essa atuação do fonoaudiólogo não é educacional, ela é clínica, predominantemente. É o conhecimento clínico voltado para atender problemas encontrados dentro das escolas. Isso é fonoaudiologia clínica e não educacional, que
acaba restringindo as reais possibilidades de atuação do fonoaudiólogo no meio escolar. Eu diria que o fonoaudiólogo tem que pensar grande. Ele tem que fazer com que sua ação possa chegar a milhares de alunos. Obviamente não ficará atuando terapeuticamente com cada um deles. Irá atingi-los por meio de programas de desenvolvimento de linguagem, dos quais ele pode participar na elaboração. E sua ação deverá ser benéfica não só para aquele que eventualmente possa ter um problema, mas para todos, partindo-se do princípio de que qualquer um, por melhor que seja, pode
melhorar, ainda mais, suas habilidades em linguagem, quer oral, quer escrita.

Pensando desta forma, sinto-me muito confortável e seguro para dizer que temos muito a ver, e de várias outras formas que não se limitam a uma visão clínica e patologizante da educação. Deve ser lembrado que a escola tem por objetivo o ensino do cálculo, das ciências e da linguagem. Com relação à linguagem há um fato curioso porque ela será, ao mesmo tempo, objeto de aprendizagem e meio para garantir a aquisição de outros conhecimentos. Portanto, a linguagem tem uma posição central dentro da educação: faz parte fundamental do programa como algo que deve ser ensinado, principalmente na forma escrita, via alfabetização e, ao mesmo tempo, serve como o
instrumento pelo qual o aluno poderá ter acesso a outros conhecimentos: a criança precisa aprender a linguagem para, por meio da linguagem, aprender.
A importância de programas visando o desenvolvimento da linguagem oral e escrita fica mais do evidente. Entretanto, sabemos que linguagem não se aprende, simplesmente, estudando livros de gramática. Podemos saber muito sobre gramática e não sermos capazes de elaborar um texto ou de compreender, via leitura, algo um pouco mais complexo. Habilidades de linguagem desenvolvem-se em situações de uso real, por meio das funções sociais que elas podem desempenhar. Todas as crianças necessitam vivenciar situações que permitam aprimorar habilidades que já possuem e desenvolver novas capacidades. A escola deve ser um local privilegiado para que isso aconteça, principalmente quando pensamos em crianças como William que nela teriam a grande
oportunidade para aprender novas coisas as quais, fora da escola, não teriam acesso.


Gostaria de terminar este texto reafirmando minha crença na atuação do fonoaudiólogo no âmbito escolar. Como profissional voltado para favorecer o desenvolvimento lingüistico ele deve preparar-se de modo mais específico para um trabalho numa perspectiva educacional. A educação carece deste tipo de conhecimento para poder levar adiante, de forma mais apropriada, seus objetivos. Já vemos um certo reflexo desta atuação na medida em que, fonoaudiólogos, trabalhando com uma nova visão, não clínica, começam a sistematizar propostas nesta área que denominamos de
fonoaudiologia escolar ou educacional.



Texto extraido do artigo:

ZORZI, J. L. A aprendizagem da leitura e da escrita indo além dos distúrbios. CEFAC, 2001.

19 de jan de 2011

Fazer caretas ajuda a melhorar a apneia do sono


Está na hora de ter uma boa noite de sono.
Por isso seja amigo, e avise as pessoas que esse problema de ronco e apnéia tem solução, com terapia fonoaudiológica, realizando exercícios para o fortalecimento da musculatura orofaríngea.

Essas estruturas língua e garganta se juntam quando a gente dorme, faz uma vibração que é o ronco ou fecha durante um tempo prolongado e faz a apnéia. A idéia dos exercícios é fazer com que a língua venha para frente e diminua e a parte da faringe fique para trás. Aumentando esse espaço e fazendo com que o ar passe durante a noite.


Fazer caretas ajuda a melhorar a apneia do sono


Esse distúrbio provoca ronco e pequenas interrupções na respiração durante o sono e médicos do Instituto do Coração (SP) descobriram que desse jeito simples dá para aliviar o sofrimento.


Uma pesquisa do Instituto do Coração em São Paulo mostrou a eficiência de um tratamento para quem dorme mal ou ronca.

Parece brincadeira, mas as caretas foram responsáveis por uma mudança radical na vida do engenheiro Hilário Kleiman. Como quase 60 milhões de brasileiros, ele tinha apneia, distúrbio que provoca ronco e pequenas interrupções na respiração durante o sono.

Isso compromete a qualidade do sono e ainda pode precipitar ou agravar problemas cardíacos. Médicos e fonoaudiólogos do Instituto do Coração, em São Paulo, descobriram que, desse jeito simples, dá para aliviar o sofrimento.

“A gente está descrevendo, pela primeira vez, uma série de exercícios com a musculatura que melhoraram, em média, em 40% o índice de apneia”, afirma o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, responsável pela pesquisa.

“A região onde está a faringe, a língua e a garganta estão muito próximas. Essas estruturas se juntam quando a gente dorme, faz uma vibração que é o ronco ou fecha durante um tempo prolongado e faz a apneia. A ideia dos exercícios é fazer com que a língua venha um pouquinho para frente e abaixe e que a parte da faringe fique um pouco para trás. A gente abre esse espaço fazendo com que o ar passe durante a noite sem fechar essa parte lá de trás, para fazer o ronco e a apneia”, explica a fonoaudióloga Sabrina Cukier Blaj.

Já virou hábito: seu Hilário não dorme sem essa ginástica.

“É como uma academia. Um mês depois, os resultados já eram concretos. Minha mulher parou de reclamar”, ele conta.

Para fazer os exercícios, é fundamental estar de frente para um espelho e pode ser qualquer um, no trânsito, por exemplo, o retrovisor do carro funciona muito bem. Só não pode olhar para o lado porque, certamente, alguém vai prestar atenção nas caretas.

“Os vizinhos dos carros ao lado devem achar que a gente está maluco. Tem os que cantam e outros ficam fazendo um pouco de careta para o espelho, que é meu caso”, revela o engenheiro Armando Broggi.

Armando nem liga. Ele sabe que, sem as caretas, não dá para se livrar da fama de roncador.

11 de jan de 2011


Crianças com dislexia e TDAH poderão ter atenção especial na Educação Básica
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou substitutivo da deputada Rita Camata, do PSDB capixaba, a três projetos [PL 7.081/10, PL 3.040/08, PL 5.700/09] que tratam da atenção especial na educação básica para crianças com dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, o TDAH.

A proposta é de criação, pelo Estado, de programa de identificação precoce, diagnóstico, tratamento e atendimento escolar especializado para estudantes da educação básica com esses transtornos. O trabalho deverá ser feito por equipe multidisciplinar.

Aos estudantes, deverá ser garantido o acesso aos recursos pedagógicos e didáticos adequados para a aprendizagem. Os professores, por sua vez, deverão ser capacitados para identificar as crianças com suspeita de dislexia e TDAH.

FONTE DE PESQUISA:http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/?lnk=1539-CRIANCAS-COM-DISLEXIA-E-TDAH-PODERAO-TE