22 de nov de 2010

Síndrome de Asperger: Guia para professores

Fonte: Online Asperger Syndrome Information and Support

Caro professor
Olá, nós somos os pais do (coloque o nome de seu filho aqui). Nosso filho foi diagnosticado com síndrome de Asperger (SA), que é um transtorno neurobiológico do espectro autista. Crianças com SA podem apresentar dificuldades em utilizar e compreender comportamentos não-verbais e a desenvolver relacionamentos apropriados com seus colegas, em parte, porque nas suas interações, muitas vezes há a falta de um intercâmbio espontâneo.

Apesar de, na maioria das vezes, ele apresentar interesses intensos e competências em determinados assuntos, ele também pode apresentar muita dificuldade com a organização. Crianças com SA podem apresentar falta de empatia, ter dificuldades com problemas sensoriais e muitas vezes elas se apóiam fortemente em rotinas.

Você vai perceber que o nosso filho tem muitos pontos fortes. No entanto, listamos abaixo algumas questões que podem surgir à medida que você trabalhar com ele. Alguns dos comportamentos que você vai observar ao longo do ano não estão sob seu controle, eles não são intencionais, não é resultado de dolo ou de mau comportamento. Às vezes o nosso filho simplesmente não sabe como responder apropriadamente em determinadas situações. Sem dúvida, você irá também desenvolver suas próprias estratégias que serão úteis nessas situações.

Por favor, fique a vontade para nos chamar a qualquer momento para falar sobre o nosso filho ou se tiver dúvidas sobre a Síndrome de Asperger. Nós podemos ser contatados por meio de: (disponibilize aqui todas as formas de contato com sua família, telefone, celular, email etc).

Você também pode obter informações sobre a síndrome de Asperger no site www.mundoasperger.com.br.

Sinceramente, agradecemos a sua caminhada conosco e por fazer parte da história do nosso filho!


Comportamentos Gerais

Esta síndrome é caracterizada por um tipo de desenvolvimento peculiar como se fosse uma espécie de "queijo suíço", ou seja, algumas coisas são aprendidas de forma adequada à idade, ao passo que outras coisas podem ficar para trás ou estar ausentes. Além disso, as crianças podem ter habilidades anos à frente do desenvolvimento normal (por exemplo, uma criança pode compreender os princípios matemáticos complexos, da mesma forma que poderá não será capaz de se lembrar de trazer a sua lição de casa).

É importante salientar que mesmo quando uma criança com SA aprende alguma coisa em uma dada situação, nem sempre ela se lembrará automaticamente ou será capaz de generalizar a aprendizagem para novas situações.

Nosso filho criança reage bem ao estilo positivo e paciente de ensino. De um modo geral um adulto falando com uma voz calma e ponderada vai colher muitos benefícios. Mas, deixe claro desde o início que você é o professor e ele o aluno, pois é você quem deverá ter o domínio da situação.

Às vezes, nosso filho poderá experimentar colapsos, onde pouco poderá ser feito até que ele saia desta situação. Em momentos como este, conduza-o para um local tranqüilo e seguro, onde nosso filho possa se restabelecer. Depois que a situação se acalmar, tente tomar nota do que ocorreu antes do colapso (como uma mudança inesperada na rotina, um barulho, uma imagem, por exemplo).

Quando se chega a um ponto no qual as coisas na sala de aula estão indo bem, isso significa que se está no caminho correto. Mas, não pense que o nosso filho está curado, que não terá mais problemas ou que está na hora de retirar o apoio. Na verdade, entenda isso como um sinal verde para que se aumentem gradualmente as exigências.

Nosso filho pode ter tiques vocais ou “chiliques”. Esteja preparado para eles, especialmente quando se tem um momento difícil. Também, por favor, deixe claro às outras crianças que esta é uma forma dele lidar com o estresse ou medo.

Quando você observar “chiliques” ou outros tipos de reações inoportunas, saiba que nosso filho não está sendo deliberadamente hostil. Em vez disso, entenda que se trata de uma luta interna, um susto ou até mesmo uma reação a algo que o está colocando em uma situação desconfortável. Pense nisso como uma sobrecarga de um circuito elétrico, onde a prevenção às vezes pode inibir situações, se você perceber os sinais de alerta antecipadamente. Com o tempo você desenvolverá esta percepção e será capaz de prevenir e se não for possível, ajudá-lo a sair dessa situação.

Nosso filho pode precisar de ajuda para resolver situações-problema. Por favor, esteja disposto a ter tempo para ajudá-lo com isso. Muitas vezes, uma criança com necessidades educativas especiais decorrentes da síndrome de Asperger, apenas com uma pequena atenção extra, pode seguir no caminho certo para alcançar o seu potencial acadêmico e pessoal.

Ao dividir atribuições entre grupos, designe você em vez de deixar para que as outras crianças escolham os membros, caso contrário as chances de que o nosso filho fique de fora ou sinta-se excluído será maior.

Observe e não deixe de reforçar positivamente com elogios seus acertos e pontos fortes, por menor que eles sejam. Isto vai dar ao nosso filho a confiança necessária para que ele trilhe o caminho certo para o seu desenvolvimento intelectual.

Fomente um ambiente de sala de aula que suporte a aceite as diferenças e a diversidade.


Repetições

Nosso filho pode repetir muitas vezes a mesma coisa, e você perceberá que isso tende a ocorrer à medida que aumenta o estresse e/ou a sua ansiedade.

Evite responder as mesmas coisas repetidas vezes, ou elevar a sua voz na respostas seguintes ou apenas apontar que a pergunta está sendo repetida. Em vez disso, tente redirecionar a atenção de nosso filho ou encontrar um caminho alternativo para que ele possa sair dessa situação.

Permita que o nosso filho possa escrever uma pergunta, expor seu pensamento por escrito ou mesmo desenhar algo para que ele possa quebrar o ciclo de estresse e ansiedade.


Mudanças

Nosso filho pode apresentar uma grande dificuldade com mudanças. Ter um quadro ou um calendário de atividades pode ser útil.

Por favor, informe o quanto antes for possível, qualquer mudança ou necessidade de interrupção em um calendário de atividades já informado a ele.

Informar uma ou duas vezes que uma mudança de atividade ou na programação irá ocorrer pode ser suficiente para que ele a aceite. Pergunte a ele se está ciente da mudança e se está de acordo. Na maioria das vezes, ao tomar ciência da mudança de maneira antecipada e ser informado do que irá ocorrer em substituição tende a torná-lo tolerante e receptivo à mudança.


Habilidades sensoriais, motoras e processamento auditivo

Nosso filho pode apresentar dificuldades para compreender uma seqüência de instruções ou muitas palavras de uma só vez.

Quebrar a instrução dentro de uma seqüência de passos simples é bastante útil.

Você pode utilizar fichas com fotos, figuras ou mesmo instruções dentro de uma seqüência para ilustrar quais as atividades prevista para aquele dia, por exemplo uma ficha para aula de português, outra para matemática, uma figura de lanche para representar o intervalo, uma foto da quadra de esportes para representar a aula de educação física e o desenho de uma casa para indicar o término das atividades.

Procure falar devagar e em frases menores para ajudá-lo a compreender uma instrução.

Indicações são mais facilmente compreendidas se forem repetidas forma clara, simples e em uma variedade de maneiras.

Nosso filho pode agir de uma forma muito desajeitada (coordenação), ele também pode reagir a certos sabores, texturas, cheiros e sons.


Estímulos

Ele pode se sentir incomodado por ruídos altos ou baixos, luzes, texturas e sabores fortes, por causa da hipersensibilidade a estas coisas.

Diante de muitas crianças, local tumultuado, barulhento e com ruídos, por favor, tente ajudá-lo a encontrar um lugar tranqüilo para que ele possa se confortar.

Intervalos de atividades e ambientes desestruturados (como almoço, lanche e trocas de sala de aula) podem vir a ser confusos para ele. Por favor, tente ajudá-lo fornecendo algumas orientações e solicitando a outros adultos ajuda extra durante estes momentos mais difíceis.

Permita que ele se movimente, pois ficar sentado por longos períodos de tempo pode ser muito difícil.

Posicione-o na sala de aula de maneira que ele recebe os seus estímulos e não do ambiente e procure manter contato visual para verificar se ele está recebendo suas mensagens.

Em alguns casos é saudável que ele faça uma pequena caminhada, com um amigo ou auxiliar de ensino, mas não faça disso uma regra, pois ele pode incorporar como uma rotina e não desejar mais permanecer em sala de aula.


Dicas Visuais

Algumas crianças aprendem melhor com ajuda visual, tais como imagem de horários, indicações escritas ou desenhos (outras crianças podem compreender melhor com instrução verbal).

Sinais de mão podem ser úteis, especialmente para reforçar certas mensagens, tais como: "esperar a sua vez", "parar de falar", ou "falar mais devagar ou suavemente".


Interrupções


Às vezes, pode demorar mais que poucos segundos para o meu filho responder às perguntas. Ele precisa interromper o que ele está pensando, se posicionar na questão, formular uma resposta e depois responder. Por favor, aguarde pacientemente a resposta e encoraje outros a fazerem o mesmo. Caso contrário, ele terá que começar tudo de novo.

Quando alguém tentar o ajudar a terminar suas frases ou o interromper, em alguns casos, ele necessitará voltar ao ponto inicial e começar de novo sua resposta para restabelecer a sua linha de pensamento.


Contato Visual

Em determinadas situações, pode parecer que nosso filho não está te ouvindo, mas na verdade ele realmente está. Quando ele não estiver olhando para você, não presuma que ele não está lhe ouvindo.

Ao contrário da maioria de nós, por vezes, forçar o contato visual quebra a sua concentração. Ele pode realmente ouvir e entender melhor você sem a necessidade de olhar diretamente em seus olhos.


Habilidades sociais e amizades

Aqui reside um dos maiores desafios para as crianças com SA. Elas são bastante desajeitadas para iniciar uma amizade, apesar de desejá-la, pois não tem idéia de como funciona esse jogo social.

Identificar um ou dois alunos que tenham empatia com ele e que possam se tornar seus colegas pode ajudar o nosso filho a se sentir em um ambiente amigável.

Sensibilizar os outros colegas da classe também pode ser útil, se for feito de uma forma positiva. Por exemplo, falar que todos nós temos desafios a enfrentar e que isso não é diferente para uma criança com síndrome de Asperger. O seu maior desafio é entender bem as situações sociais e que para isso ele necessita da compreensão daqueles que participam de seu convívio. Que essa dificuldade é semelhante ao caso de outras crianças, como aquelas que necessitam de óculos para enxergar ou de um aparelho de audição para ouvir.

Os alunos com Síndrome de Asperger são potenciais vítimas de atos de bullying praticados por outras crianças. Isso é causado por alguns fatores: Existe uma grande probabilidade de que o ato intimide a criança com Asperger, o que reforça esse tipo de comportamento; crianças com Asperger desejam ser incluídas e gostariam tanto de ser que elas acabam não relatando os atos de bullying, temendo a rejeição do autor e/ou dos outros estudantes.


Rotina


A rotina é muito importante para a maioria das crianças com síndrome de Asperger, mas pode ser muito difícil de alcançar em uma base regular em nosso mundo.

Por favor, deixe nosso filho saber de todas as mudanças previstas, assim que conhecê-las, especialmente por meio de imagens ou horários.

Deixe-o saber, se possível, quando haverá um professor substituto ou uma atividade externa que possa vir a ocorrer durante o horário regular escolar.


Linguagem

Apesar de que o seu vocabulário e uso da linguagem possam parecer de alto nível, crianças com síndrome de Asperger, podem não saber o significado do que estão dizendo mesmo que as palavras sejam pronunciadas corretamente.

Piadas e palavras de duplo sentido muitas vezes não são compreendidas por nosso filho. Mesmo com explicações do que se entende por tais palavras, na maioria dos casos elas não serão suficientes para esclarecer o seu significado, pois as perspectivas de uma criança com síndrome de Asperger podem ser únicas e, às vezes, imutáveis.


Habilidades organizacionais

Nem sempre nosso filho tem a capacidade de se lembrar de um monte de informações ou a habilidade de recuperar essas informações para a sua utilização.

Pode ser útil para desenvolver programações (imagem ou escrita) para ele.

Por favor, disponibilize individualmente para ele, em sua mesa, quais as lições de casa que deverão ser realizadas e os respectivos prazos de entrega para que ele possa fazer uma cópia. Por favor, certifique-se que essas obrigações foram anotadas e o material necessário foi colocado em sua mochila, porque nem sempre ele será capaz de contar tudo o que deve ser feito quando chegar em casa.

Se necessário permita que ele copiar as anotações de outras crianças ou mesmo forneça uma cópia da matéria. Muitas crianças com síndrome de Asperger também apresentam disgrafia, ou seja, eles são incapazes de ouvir você falar, ler o quadro e tomar notas ao mesmo tempo.


Uma Palavra Final

Às vezes, alguns comportamentos do nosso filho podem ser inoportunos e irritantes para você e para os alunos da sua classe. Por favor, saiba que isto é normal e esperado. Tente não deixar que um dia difícil estrague o fato de que você é um(a) professor(a) maravilhoso(a), diante de uma situação desafiadora pela frente e que nada será igual ao trabalho que você já realizou em outras oportunidades.


Você também vai estar diante de situações novas e únicas no mundo e experimentará o prazer das pequenas conquistas e o sabor da vitória de uma maneira especial, pois são essas pequenas vitórias que fazem a diferença no desenvolvimento de nosso filho e que proporcionará uma nova sensação de sucesso profissional a você.

Sinta-se livre para compartilhar conosco o que você quiser. Já ouvimos muitas coisas antes. O que você tiver que falar para nós não irá nos chocar ou nos fazer pensar mal de você.

A comunicação é a chave e, trabalhando juntos como uma equipe, nós poderemos fornecer o melhor para você e para o nosso filho.

Muito obrigado!

Aluno com SA é desafio para educação inclusiva!!



Especialistas defendem que as crianças com SA podem, e devem, frequentar escolas regulares. O argumento é que as pessoas aprendem de jeitos diferentes e a pluralidade faz com que a escola fique cada vez mais interessante, ao contrário de ambientes homogêneos que tornam-se desinteressantes. O papel da escola é aproveitar o potencial do aluno e canalizá-lo para os demais conteúdos da série que cursa. Segundo especialistas, é preciso aprofundar o conhecimento sobre síndromes para melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino e aprendizagem, não cabe mais a segregação no ambiente acadêmico.

Aluno com síndrome de Asperger é desafio para educação inclusiva: Especialistas defendem opção por ensino regular.

Autora: Vanessa Fajardo, do G1, em São Paulo
Fonte: www.g1.globo.com

Com dificuldade de interagir, fazer amigos e tendência a se isolar, o aluno com síndrome de Asperger é um dos desafios para a educação inclusiva. A doença é considerada um tipo leve de autismo que não afeta o desenvolvimento intelectual. É comum que os “aspies” – como são chamados – tenham inteligência acima da considerada “normal.”
Especialistas defendem que as crianças que apresentam este tipo de síndrome podem - e devem - frequentar escolas regulares. “As pessoas aprendem de jeitos diferentes e a pluralidade faz com que a escola fique cada vez mais interessante. Ambientes homogêneos são desinteressantes”, diz Liliane Garcez, coordenadora do curso de pós-graduação inclusiva do Instituto Vera Cruz.
Para Liliane, o papel da escola é aproveitar o potencial do aluno e canalizá-lo para os demais conteúdos da série que cursa. "É preciso aprofundar o conhecimento sobre estas síndromes para melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas envolvidas. Não cabe mais a segregação."
Famílias
Na vida real, a professora e atual presidente da AMA (Associação de Amigos dos Autistas), em São Paulo, Sonia Maria Costa Alabarce Nardi, de 48 anos, conhece as dificuldades da síndrome. Seu filho, Guilherme Alabarce Nardi, de 15 anos, tem Asperger e passou por três escolas antes de completar 7 anos. “As escolas não estavam preparadas para recebê-lo porque ele chorava muito e não aceitava regras.”
Sonia buscou apoio na AMA, que fornecia suporte pedagógico a Guilherme e o matriculou em uma escola pequena, onde os funcionários podiam lhe dar mais atenção. “Ele não tinha facilidade de conviver com outras crianças e tivemos de nos adaptar.” Hoje, no segundo ano do ensino médio, Guilherme tem notas exemplares. “Ele é muito inteligente, tem uma memória excelente, mas a convivência ainda é um pouco difícil. São poucos os amigos.

"As escolas não estavam preparadas para recebê-lo porque ele chorava muito e não aceitava regras."
Sonia Maria Costa Alabarce Nardi, mãe de um adolescente com Asperger

A auxiliar financeira Maria Aparecida de Santana Oliveira, de 53 anos, também tem um filho com a síndrome. Jefferson Santana de Oliveira, hoje com 23 anos, sempre estudou em colégios comuns. “Ele conseguiu acompanhar, ficava um pouco isolado, mas, aos poucos, começou a interagir. Às vezes os colegas o excluíam, mas ele gostava de ir à escola. Tinha dificuldade em matemática, mas muita facilidade para línguas.” Concluído o ensino médio, Jefferson tem uma nova batalha: encarar a frustração de não ter passado no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) e retomar os estudos. A mãe diz que antes o jovem quer encontrar um emprego.
Diagnóstico
O primeiro obstáculo dessas famílias é acertar o diagnóstico. Muitas vezes percorrem verdadeiras maratonas em psicólogos, psiquiatras e neurologistas que chegam a confundir a síndrome com hiperatividade ou déficit de atenção. “São sintomas sutis e muitas vezes os pais não identificam porque acham que é o jeito da criança”, afirma Cinara Zanin Perillo, psiquiatra especialista em infância e adolescência.
Outra característica da síndrome é a fixação por interesses específicos, geralmente ligados ao campo das ciências, como biologia, corpo humano, astronomia ou dinossauros.
Os “aspies” têm dificuldade de centrar o olhar em um determinado ponto e entender metáforas. Todas as expressões, para eles, têm sentido literal.
A síndrome de Asperger é causada por alterações genéticas associadas a fatores hereditários. É mais comum em meninos e os indícios podem ser percebidos a partir dos 3 anos. Segundo Cinara, é comum que os portadores desenvolvam outros transtornos psiquiátricos. Não há cura.

22 de out de 2010

"Seu Filho Gagueja?" - Cartaz DIAG 2010



Cartaz da campanha brasileira do Dia Internacional de Atenção à Gagueira 2010.

A gagueira persistente, também conhecida como disfemia, é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a fluência da fala e que pode causar forte impacto negativo sobre a pessoa que gagueja. Dada a importância da comunicação no dia a dia, a gagueira tende a prejudicar consideravelmente a funcionalidade do indivíduo em vários aspectos da vida adulta, sobretudo nos âmbitos acadêmico, social e ocupacional. Portanto, se seu filho gagueja, procure o quanto antes um fonoaudiólogo especializado. Gagueira não tem graça, tem tratamento.

Realização:
Instituto Brasileiro de Fluência
CEFAC - Saúde e Educação
Hospital do Servidor Público Estadual
Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ
Conselho Federal de Fonoaudiologia

4 de out de 2010

Problemas de atenção ligados a Videogames

Pesquisa descobre correlação de “leve a moderada” entre jogar mais de duas horas por dia e dificuldade em se manter concentrado.

Não há causa definida do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas uma lista de suspeitas do National Institute on Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental) inclui genes, danos cerebrais, e fatores ambientais como o uso de cigarro e álcool durante a gravidez ou exposição ao chumbo. Outro fator ambiental que pode ser adicionado a esta lista, como novas pesquisas sugerem uma ligação entre problemas de atenção e jogar videogame.

De acordo com um estudo intitulado “Exposição à televisão e videogame e o desenvolvimento de dificuldades de atenção”, publicado na edição de agosto da Pediatrics , exposição à televisão e videogames demonstraram correlações de “leve a moderada” concomitante a problemas de atenção. De acordo com a pesquisa, a relação era a mesma se os participantes do estudo jogavam jogos ou assistiam TV.

Os pesquisadores estudaram 1323 crianças (garotos e garotas no terceiro, quarto e quinto anos do Ensino Fundamental) durante um período de 13 meses. Eles determinaram os problemas de atenção coletando relatos de pais sobre os hábitos dos filhos em jogar videogame e assistir TV e a avaliação de professores, perguntando se as crianças tinham problemas de atenção e em qual grau.

Eles também utilizaram avaliações de uma só vez de 210 estudantes (garotos e garotas), os quais eles mesmos preencheram formulários contendo seus hábitos de assistir TV, exposição ao videogame, e problemas na atenção. Pesquisadores descobriram que crianças que assistiram mais de duas horas a cada dia eram mais suscetíveis a taxas médias de problemas de atenção, com o contingente de idades mais velhas demonstrando resultados similares.

O escritor principal do jornal, Edward Swing, disse à Gamespot que era necessário mais pesquisas para estabelecer se existe um relacionamento causal entre jogar videogame e problemas de atenção. Ele também demonstrou interesse em determinar se o tipo de conteúdo consumido impactaria na correlação entre jogar e problemas de atenção. Por exemplo, Swing quer descobrir se jogos e programas de TV de ritmo vagarosos, educacionais e/ou não-violentos podem ser menos comumente amarrados aos problemas de atenção.

A pesquisa teve como co-autores Craig_A.Anderson e David_A._Walsh , dois conhecidos pela história de caluniar efeitos perniciosos dos jogos. A pesquisa anterior de Anderson ligou jogos violentos à agressão intensificada, e Walsh fundou o National Institute on Media and the Family (Instituto Nacional na Mídia e Família), o finado grupo de advocacia de monitoração à mídia de massa.

O Journal of the American Academy of Pediatrics (Jornal da Academia Americana de Pediatria) é impresso mensalmente nos EUA e seis outros países e também possui uma versão online. Este é um jornal revisado por especialistas que vem sendo publicado desde 1948.

Fonte: gamespot.com
Estudo por Eddie Makuch, Brendan Sinclair
GameSpot (publicado em 6 de julho de 2010)

29 de set de 2010

Atuação da Fonoaudiologia Educacional no Município de Pitanga/PR

Desde ano de 2008, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura conta com a colaboração da Fonoaudióloga Rudahyra Taisa O. de Oliveira – CRFa 9324/PR que é responsável pela realização de avaliações, triagens, projetos, formação continuada e assessoria fonoaudiológica dentro dos ambientes educacionais do Município de Pitanga/PR, tudo de forma gratuita.
Neste ano de 2010, foi possível realizar 39 avaliações fonoaudiológicas em alunos e professores da rede municipal de educação, dentre as quais se encontravam alunos que apresentavam alterações de ordem de aprendizagem (leitura e escrita), alterações de linguagem oral (distúrbios articulatórios, desvios fonológicos e gagueira), assim como foram avaliados alguns alunos e professores que apresentavam alterações vocais. Ressalta-se que as avaliações são realizadas em parceria com a equipe de profissionais do AEE - Atendimento Educacional Especializado, que conta com duas psicopedagogas, Celsi Fátima O. Manica e Rose Mari Carbornar Campos e uma psicóloga, Camila Grande da Silva que são responsáveis pelas avaliações psicoeducacionais; um fisioterapeuta, Maicon e a coordenadora da equipe do AEE, Maria José Alves, conhecida como Zuca.
Foram realizados encontros de formação continuada com as equipes pedagógicas das escolas e debatidos temas específicos em relação a aprendizagem escolar, métodos de alfabetização e propostas para desenvolvimento da linguagem oral e escrita das crianças.
Também está sendo realizado um projeto com os alunos de alfabetização (1º e 2º ano) da Escola M. Afonsina Mendes Sebrenski, no qual estamos trabalhando com a estimulação das habilidades de consciência fonológica que é a capacidade da criança manipular os sons da fala, proporcionando a relação fonema/grafema, desenvolvendo dessa forma as habilidades de leitura e escrita. O projeto conta ainda com a participação das profissionais Hildegard Elga Peske e Márcia Nascimento Lenartovicz Pittner, da equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Cabe ressaltar que além das avaliações, foram realizados também encaminhamentos para outros profissionais da saúde, como psicólogo, odontologista, ortodontista e otorrinolaringologista. Além disso, após todas as avaliações foram repassadas orientações de como o professor e a equipe pedagógica da escola deverão acompanhar e desenvolver as áreas que encontram-se defasadas nas crianças.
Para maiores informações, orientações e agendamentos de avaliações, as famílias devem procurar as escolas onde seus filhos estudam e/ou solicitar um horário junto à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. A fonoaudióloga Rudahyra encontra-se presente sempre nas segundas e terças-feira, das 9h às 16h ou pelo fone (42)3646-2174, ela disponibiliza também o seu blog , onde podem ser encontradas orientações sobre aspectos fonoaudiológicos dentro do ambiente educacional.

2 de ago de 2010

Parceria do futuro

REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 159

Recém-reconhecida por órgão federal, nova especialidade pode ajudar, em trabalho conjunto com o professor, no desenvolvimento da leitura e da escrita a partir de questões fonológicas.



A melhora na aprendizagem dos alunos da 4ª série da Escola Estadual Brigadeiro Faria Lima (SP), em 2009, não surpreendeu a então coordenadora pedagógica Ana Lúcia Nicolau e sua equipe de professores. Após a realização de oficina feita para desenvolver a competência narrativa das crianças, já tinha essa expectativa, refletida também no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) de 2009, em que a escola atingiu 4,68 pontos para uma meta estabelecida de 4,09. Surpresa mesmo, a coordenadora e dez professores tiveram antes do início da oficina, ao saber que havia sido elaborada por fonoaudiólogos.

Durante o ano, os docentes receberam orientações e trabalharam em conjunto com uma equipe de especialistas do Instituto Cefac, instituição clínica-educacional autônoma voltada para o atendimento e a pesquisa na área da fonoaudiologia. Nos encontros semanais com os professores, a equipe liderada pelo fonoaudiólogo Jaime Luiz Zorzi sugeriu atividades para que os docentes trabalhassem com os alunos a ideia da narrativa, as propriedades dos textos, a comparação com diversas estruturas possíveis e as diferenças entre linguagem oral e escrita. Depois de um ano, os alunos de 3ª e 4ª séries participaram de uma competição de textos.

"Não imaginei que o trabalho do fonoaudiólogo pudesse ter um enfoque pedagógico", conta Ana, que atualmente voltou a lecionar na mesma escola. "Sabíamos da importância da atuação clínica do fonoaudiólogo, mas, após a oficina, entendemos a relevância da colaboração na sala de aula."

Poucos educadores conhecem o campo de atuação do fonoaudiólogo no ambiente educacional. A imagem de profissional da área de saúde que oferece tratamento clínico para alunos com alterações de fala (gagueira, por exemplo) ainda é a única associada ao fonoaudiólogo. "A maior parte dos profissionais se apresenta para os educadores como alguém que pode detectar e tratar problemas, todos mais ligados à fala, deixando a leitura e a escrita de lado", conta Zorzi. Por esse motivo, ele não se surpreende quando professores perguntam, ao final de congressos e palestras, se é mesmo fonoaudiólogo e não educador. "Tudo isso porque meu trabalho se concentra nas questões de aprendizagem", diz.

O trabalho do fonoaudiólogo passa por um momento de transição. Em março último, a Fonoaudiologia Escolar-Educacional foi reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), o que, na visão dos profissionais da área, é um passo importante para a formalização da atuação. Além de representar um movimento de retomada de uma função que remonta ao início da profissão, surgida a partir de demandas educacionais.

O fonoaudiólogo educacional desempenha trabalho coletivo na escola. Ao lado do professor, aluno e pais, oferece apoio no desenvolvimento de fluência e interação verbal, de linguagem e de ensino da língua portuguesa com trabalhos na alfabetização, oralidade, leitura e produção de textos escritos. Atua na educação infantil e no ensino fundamental.

Uma de suas atividades mais recorrentes em sala de aula é o de consciência fonológica para os alunos em processo de alfabetização. O contato mais próximo com as estruturas das sílabas, das palavras e dos fonemas, por meio de brincadeiras e exercícios com rimas e aliterações, por exemplo. Assim, conseguem progressos importantes de leitura, fala e escrita.

Mas em que esse trabalho difere do que é feito pelo professor em sala de aula? Os olhares para essas atividades são diferentes, explica Sílvia Colello, professora de psicologia da educação da Faculdade de Educação da USP. "No caso de um exercício envolvendo narrativas, o professor pode estudar com os alunos os gêneros e estruturas de texto, enquanto o fonoaudiólogo pensa nos caminhos para estimular a articulação ou o encadeamento lógico e fluência das palavras", exemplifica. Em comum, os dois trabalhos têm o desenvolvimento das habilidades de escrita e fala, mas com cada profissional olhando para um aspecto diferente da linguagem. "O ideal é trabalhar de forma integrada, articulada. Assim, rompe-se a lógica tradicional da escola de excesso de encaminhamentos para os consultórios para combater os problemas de aprendizagem", opina.

Parceria
"Antes era um trabalho mais focado só na criança, sem a participação do professor. Agora, as professoras desenvolveram um olhar mais aguçado, e já identificam e indicam alterações de fala nos alunos", conta a fonoaudióloga Renata Opice, que há 17 anos integra a equipe interdisciplinar da Escola Alfa, instituição particular paulistana de ensino infantil.

No início, o trabalho de fonoaudiologia na escola ficava restrito à triagem de alunos com alterações de fala. Mas, em 1996, houve uma mudança em toda a orientação pedagógica e a equipe começou a refletir sobre o trabalho de Renata, o que gerou mudanças. "A ficha fonoaudiológica e a pedagógica viraram uma só, que hoje chamamos de anamnese escolar", relembra. A partir de então, a equipe interdisciplinar inclui também a fonoaudióloga nas reuniões para atualização do plano pedagógico.

O processo de alfabetização também foi ajustado: "Apesar de a etapa visual ser tida como fundamental na alfabetização, decidimos também enfatizar o desenvolvimento auditivo no nosso processo. Ele auxilia a criança a pensar as letras e sons. Quando vai escrever, ela puxa esse repertório maior ensinado nos anos anteriores", avalia Cecília Assumpção, diretora pedagógica da Alfa.

"Detector de problemas"
A entrada de um especialista em uma escola é sempre um momento de tensão. "A equipe pode se sentir invadida com a presença do
fonoaudiólogo até pela própria tradição de falta de trabalho integrado nas instituições", analisa Silvia Colello. A esse estranhamento, soma-se o desconhecimento sobre o trabalho desse profissional no âmbito da escola. As dúvidas são muitas, a começar pelo fato de um profissional da área de saúde atuar na educação.

Para elucidar o que se pode ou não fazer, uma determinação do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) prescreve que o fonoaudiólogo não pode desenvolver trabalho terapêutico ou clínico na escola de ensino regular. Caso seja identificada uma alteração de fala, deve indicar que a criança se consulte com outro profissional, fora das dependências da escola, para um acompanhamento individual. A resolução 232, de 1999, foi a primeira que dispôs sobre a atuação do fonoaudiólogo escolar. Foi revogada e atualizada em 2005 (resolução 309). "O ambiente escolar não é um ambiente de terapia. Não era inclusivo pedir para um aluno sair da sala, em horário de aula, para fazer acompanhamento individual. Não era bom para a criança", explica Bianca Queiroga, membro do CFFa e professora da Faculdade de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A exceção fica para as instituições de ensino especial, nas quais o acompanhamento clínico pode ocorrer dentro da escola.

"A atuação tem avançado, mas ainda há problema de interpretação do trabalho deste profissional tanto pela escola quanto entre os próprios
fonoaudiólogos", alerta Bianca Queiroga. A imagem que a categoria pretende apagar o quanto antes do imaginário dos professores é de profissional que detecta problemas. Isso porque sua atuação pode ser mais rica que aquela simplesmente ligada a ações curativas.

Para tirar essa impressão, a fonoaudióloga Maria Silvia Cárnio eliminou a etapa de triagem do programa escolar que coordena com estagiários do 3º ano de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP. A triagem era feita apenas para o mapeamento da cena escolar em que a parceria iria acontecer. "Mas alguns professores passaram a encarar aquilo como chance de identificar os alunos 'problemáticos', e esse não era o foco", conta Maria Silvia que, desde 1989 coordena o programa. Agora, são os próprios professores que indicam os alunos com defasagem na aprendizagem a partir da convivência com o aluno em sala de aula. Só a partir daí o programa é montado. Após aplicá-lo em seis escolas públicas paulistas, o estágio batizado de Programa Escola começou, em março deste ano, na Escola Estadual Clorinda Danti, localizada na favela São Remo (zona leste da capital). O foco são os alunos das 3as séries (atuais 4os anos). O convênio entre a escola e a USP deve durar três anos. Além do programa, Maria Silvia também promove encontros semanais nas HTPCs (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo). Aí o trabalho é de consultoria e esclarecimentos e pode atender também a demandas dos próprios professores. "Já tivemos palestras sobre a utilização da voz em sala de aula e sobre dislexia", lembra a diretora Rosana de Miranda.

Na avaliação da fonoaudióloga Ana Paula Berberian, autora do livro Fonoaudiologia e educação: um encontro histórico (Ed. Plexus), a maior parte das escolas continua esperando que os fonoaudiólogos resolvam, por meio dos recursos disponíveis no campo da saúde, o problema de crianças que não correspondem ao desempenho esperado: "Por essa razão não identificam o fonoaudiólogo como profissional também da educação e resistem a propostas que não sejam para diagnosticar e tratar crianças que a escola não consegue dar conta de ensinar", avalia.

Já do lado dos fonoaudiólogos, não há clareza sobre a própria atuação da escola. Para a Ana Paula Berberian, o maior problema está na faculdade: "O fonoaudiólogo não tem formação para atuar em parceria com o professor e contribuir para que a escola cumpra da melhor maneira possível seu papel, ou seja, o de formar leitores e escritores de fato."

Apesar do cenário ainda longe do ideal, as perspectivas para a área são boas, devido ao aumento de pesquisas que subsidiam um trabalho mais crítico em relação à perspectiva clínica e mais focado na melhora educacional de fato. Os profissionais da área ficam esperançosos pelo reconhecimento de sua colaboração na escola. As limitações de grande parte da população estudantil na leitura e escrita reforçam a importância do fonoaudiólogo. Na escola, o trabalho desse profissional, em parceria com o do professor, começa a ganhar amplitude social.


A fonoaudiologia começou na Escola!

As primeiras iniciativas de consolidação do papel do fonoaudiólogo tiveram sua origem em estados do Sul do Brasil. Entre os anos de 1910 e 1940, com a vinda maciça de imigrantes para o país, cresceram as expectativas de padronizar a língua nacional.

Com o movimento nacionalista, as variações linguísticas eram consideradas patologias e, com isso, diversos profissionais foram inseridos na escola, com o objetivo de sanar as dificuldades que poderiam "impedir o desenvolvimento do Brasil". Quem não seguia a norma culta era encaminhado para educadoras que recebiam uma formação básica para atuarem como ortofonistas (hoje, chamados de fonoaudiólogos), sendo, a prática, desenvolvida conforme cada caso clínico.

Os primeiros estudos de cunho científico precursores da fonoaudiologia escolar foram realizados nos anos 60. Até a década de 70, houve uma transferência da abordagem clínica para a escola, onde o professor ajudava o fonoaudiólogo, pois ele era considerado o agente detector de problemas neste meio.

Até a sua regulamentação no país, na década de 80, a fonoaudiologia conquistou muitos avanços tecnológicos na área da saúde, e sua ligação com a educação deixou de ser o campo de atuação mais conhecido. Apesar disso, a fonoaudiologia escolar continuou a desenvolver-se em paralelo. Hoje são grandes as mudanças na forma de atuação dos profissionais que saem das universidades com a intenção de trabalhar com educação. Não se fala mais tanto em estar na escola para detectar problemas, mas sim para compor a equipe pedagógica.

12 de jul de 2010

Perspectivas Atuais em Fonoaudiologia‏



Descrição rápida
Autores: Juliana Marcolino, Ana Paula Zaboroski e Jáima Pinheiro de Oliveira
ISBN - 978-85-89892-74-2
Idioma: português
Edição - lançado em 06/2010
peso - 400g
Tamanho - 16 x 23 cm
Preço - R$ 45,00
Número de páginas - 264

Disponível para compra: Pulso Editorial (clique aqui)


Descrição do produto

O livro Perspectivas Atuais em Fonoaudiologia: refletindo sobre ações na comunidade contempla áreas carentes quanto à publicação de experiências fonoaudiológicas que retratam diversas realidades do nosso país, facilitando a aplicabilidade de seus resultados. Além disso, volta-se de modo especial à descrição de alguns projetos de extensão, o que incentiva a parceria entre a Universidade e a comunidade, na tentativa de mostrar o quanto essa aproximação é possível e cada vez mais necessária.
Léslie Piccolotto Ferreira


Não é de hoje que questionamentos acerca da função social da universidade frequentam debates filosóficos e científicos sobre os rumos da humanidade, tanto no Brasil quanto em outros países. Na universidade presenciamos a tensão presente no relacionamento do famoso “tripé indissociável” – ensino/pesquisa/extensão – de lugar comum em discursos verborrágicos, desprovidos de qualquer intenção de estabelecer coerência com as ações hipocritamente anunciadas. [...] as organizadoras demonstram louvável lucidez ao nos proporcionarem a leitura não de uma carta de intenções, mas, ao contrário, de ações acadêmicas que a partir da extensão articulam, efetivamente, ensino e pesquisa.
Gilmar de Carvalho Cruz


SEÇÃO 1
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA COM IDOSOS


Capítulo 1
Atuação Fonoaudiológica com Idosos Institucionalizados
Célia Maria Giacheti
Cristiana Ferrari
Heraldo Lorena Guida

Capítulo 2
Atuação Fonoaudiológica em Pacientes Adultos com Doenças Neurológicas
Juliana Marcolino
Lílian Prado

Capítulo 3
O Centro de Atendimento a Afásicos (CAAf) da DERDIC/PUC-SP: atendimento clínico, inclusão social e atenção à família
Suzana Carielo da Fonseca
Maria Francisca Lier-De Vitto

Capítulo 4
Linguagem e Envelhecimento: práticas de letramento junto a um grupo de pessoas com mais de 60 anos
Giselle Massi
Regina Celebrone-Lourenço
Rebecca Torquato

Capítulo 5
Grupo: uma proposta de intervenção junto a familiares de pacientes neurológicos
Ana Paula Santana
Maria Regiana Franke Serrato
Francisleine Moleta
Renata Costa Riemke


SEÇÃO 2
PROMOÇÃO À SAÚDE FONOAUDIOLÓGICA


Capítulo 6
Uma Proposta de Trabalho de Prevenção Primária em Fonoaudiologia: projeto de extensão universitária (Proext)
Carolina Lisboa Mezzomo
Maira Rozenfeld Olchik
Mauriceia Cassol

Capítulo 7
Ações Diagnósticas e Educativas com Gestantes e Puérperas em Maternidades Desenvolvidas no Contexto de um Projeto de Extensão Universitária
Luciana Tavares Sebastião

Capítulo 8
Salas de Espera: espaços com potencial para ações que integrem a educação e a saúde
Tania Moron Saes Braga
Jáima Pinheiro de Oliveira

Capítulo 9
Contribuições de uma Oficina para a Comunidade Acadêmica no Contexto da Campanha Nacional da Voz
Ana Paula Zaboroski
Juliana Marcolino

Capítulo 10
Saúde Vocal do Professor: ações diagnósticas e educativas desenvolvidas no contexto de um projeto de extensão universitária
Eliana Maria Gradim Fabron
Luciana Tavares Sebastião

Capítulo 11
Promoção Avaliação e Intervenção no Desenvolvimento Infantil (PAIDI)
Jáima Pinheiro de Oliveira
Tatiani de Cristo
Rudahyra Osswald de Oliveira
Graziela Bougo Chamarelli
Ana Paula Zaboroski
Ana Cândida Schier


SEÇÃO 3
INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM LINGUAGEM INFANTIL


Capítulo 12
Grupo de Familiares de Surdos
Ana Cristina Guarinello
Luciana Cabral Figueiredo

Capítulo 13
Programa de Intervenção na Disfluência Infantil (PIDI)
Cristiane Moço Canhetti Oliveira

Capítulo 14
Programa de Atendimento Fonoaudiológico em Saúde Mental Infantil (PASMI)
Andréa Regina Nunes Misquiatti
Maria Cláudia Brito
Francisco Baptista Assumpção Jr

Capítulo 15
Fonoaudiologia e Linguagem Escrita: uma proposta de trabalho grupal
Ana Paula Berberian
Maria Letícia Cautela de Almeida Machado

Capítulo 16
Atendimento Fonoaudiológico a Escolares com Transtornos de Aprendizagem: atuação em oficinas de leitura e escrita
Simone Aparecida Capellini
Ravena Karen Furst Silva
Maria Nobre Sampaio
Lara Cristina Antunes dos Santos
Maria Dalva Lourenceti
Niura Aparecida de Moura Ribeiro Padula

Capítulo 17
Experiência em Extensão voltada para os Desvios Fonológicos
Gilsane Czlusniak
Dionízio Bartiechen
Marinei Lima
Franscislaine Golembiouski
Tatiane Santos

6 de jul de 2010

Dia do Cantor é comemorado em 13 de julho

No dia 13 de julho é a vez dos cantores de todo o país receberem parabéns. O CFFa, em seu site, lembra que em uma profissão que depende quase exclusivamente da voz é importante manter acompanhamento constante de um especialista.



Diversos aspectos podem interferir no bom uso da voz, como respiração, alimentação, hidratação e até mesmo problemas gástricos. Também é preciso ficar atento com os ambientes que o cantor frequenta. O ar condicionado e o carpete existentes na maioria dos estúdios podem estimular possíveis alergias. Em todos os casos, uma visita ao fonoaudiólogo evita o agravamento de qualquer desses problemas.

Feliz Dia do Cantor!

O fonoaudiólogo na educação

O Conselho Federal de Fonoaudiologia aprovou nova especialidade para fonoaudiólogos, a Fonoaudiologia Escolar/Educacional.
Os procedimentos utilizados pelo fonoaudiólogo que trabalha em escolas é diferente daqueles praticados em clínicas e hospitais.
Enquanto na escola, a ênfase do trabalho é a promoção da saúde escolar, vocal e de linguagem, a atuação clínica, além do caráter de promoção da saúde comunicativa, tem a avaliação, diagnóstico e fonoterapia como foco, pois caracteriza a busca da maioria da população que procura os consultórios.
Se você ainda tem dúvidas sobre o que o fonoaudiólogo pode fazer na escola, veja na figura abaixo estas atribuições:



Imagem retirada da Revista Comunicar do Conselho Federal de Fonoaudiologia

5 de abr de 2010

O que acontece na boca ao longo e depois da mastigação?‏












Fonte: Revista Saúde – Agosto de 2009 – Páginas 42 e 43

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Por que roncamos?






1. Quando a gente dorme os músculos das vias aéreas se relaxam — não só eles, mas toda a musculatura do corpo, é claro. Assim, como ficam totalmente distensionados, acabam reduzindo o espaço por onde o ar passa.






2. Ao passar por esse aper to, o ar faz tecidos como o palato mole, a língua e as amígdalas vibr arem, produzindo um ruído. É o ronco. Problemas como a obesidade agravam a situação, porque o acúmulo de gordura local diminui ainda mais o espaço para a passagem do ar.

FONTE: GERALDO RIZZO, NEUROLOGIWSTA, DIRETOR DO SONOLAB, NO HOSPITAL MÃE DE DEUS, EM PORTO ALEGRE; E RUBENS REIMÃO, NEUROLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE SÃO PAULO

23 de mar de 2010

A linguagem infantilizada até onde compromete o desenvolvimento da criança?




Muitos pais acham engraçado quando o filho diz tasa no lugar de "casa" ou tem no lugar de "trem".Mas essa conversa em linguagem tatibitati pode ser menos inocente do que parece.

Falar errado atrapalha o desenvolvimento da criança, prejudicando o prendizado da língua e a alfabetização.

Quem nunca achou graça de uma criança dizendo "Manhê não chei onde ta meu tapato"?

E quantas vezes nós nos dirigimos às crianças usando esses mesmos termos infantilizados? Essa maneira carinhosa e aparentemente inofensiva de se comunicar com os pequenos pode colocar em risco seu desenvolvimento da fala e é também uma forma de subestimar sua capacidade intelectual. Ao utilizar palavras erradas, no diminutivo, em linguagem infantilizada, estamos fazendo com que a criança assimile o idioma de modo equivocado. A repetição, para a criança, é importante no processo de aquisição da linguagem. Falar com elas trocando e omitindo letras ou distorcendo palavras, tais como pepeta, papá, dedeira, pode atrapalhar muito. Esse procedimento reforça um padrão desciado do normal, provocando muitas vezes um distúrbio da fala.Esse distúrbio deve ser levado muito a sério, pois pode implicar outros comprometimentos. Para começar, pode induzir as crianças a transpor suas trocas orais para a linguagem escrita, durante a alfabetização. Pode também ter conseqüências nas relações sociais, uma vez que a criança se sentirá envergonhada diante dos amigos e de pessoas de seu convívio. Freqüentemente, essas crianças se tornam retraídas, tímidas e inseguras, evitando situações em que tenham que se expor.Qualquer alteração na linguagem deve ser detectada o mais cedo possível. Até os 4 anos, é natural que a criança troque ou omita alguns fonemas ao falar. Afinal, ela está numa fase de aquisição de vocabulário. Ao reproduzir essa linguagem, acabamos por perpetuá-la. A persistência dessas trocas após os 4 anos deve ser cuidadosamente avaliada por um fonoaudiólogo, que inclusive, poderá determinar se o tipo de erro pe relevante para um possível tratamento.É comum em nosso dia-a-dia o surgimento de acasos de crianças que apresentam esses problemas. È claro que nem sempre eles são provocados pela forma como os pais falam com seus filhos. Podem ter inúmeras causas, desde problemas neurológicos, perda auditiva, estimulação inadequada ou até mesmo falta de treino, pois muitos adultos "adivinham" o que a criança quer, dispensando seu esforço para falar.O papel dos pais é tão importante nesse processo que às vezes o tratamento consiste muito mais em orientá-lo do que em um trabalho específico com a criança.Cabe a eles, aprender como lidar com as trocas de sílabas e palavras que a criança faz. Não raramente, só com a mudança de comportamento dos pais já se pode observar uma melhora.

Foi o que aconteceu com um paciente de 3 anos que, além de falar pouco, o que falava não se podia entender. Os pais da criança trabalhavam em horário integral e ela ficava com a babá, que apesar de ser boa profissional não era de muita conversa. Os pais foram orientados para colocá-la numa escola e destinar algum tempo para estimulá-la através de brincadeiras, historinhas, fortalecendo o próprio vínculo familiar. Pode parecer uma coisa tola, mas tola é a nossa atitude diante dos pequenos, tratando-os como se fossem bobos. È necessário que os pais façam uma reflexão e avaliem o modo como se comunicam com seus filhos. Não falando de forma infantilizada, jamais repetindo palavras erradas, não chamando a atenção a todo o instante para seus erros, corrigindo-os de forma natural, dando o padrão correto.O melhor caminho para isso é lidar com ele sem se esquecer de que são inteligentes e tem muita capacidade de aprender. Conversar com eles é muito importante. Carinho e atenção continuam sendo extremamente necessários.

18 de mar de 2010

Clínica HUMANA participa na comemoração do dia internacional da mulher em Arapuã


O município de Arapuã comemorou o Dia Internacional da Mulher com uma grande festa, no dia 8, no salão paroquial São José, prestigiada pelo prefeito Deodato Matias e pela primeira-dama, Rosimery Matias. Eles fizeram a abertura do evento e deram as boas vindas às participantes.

Na sequência, a equipe da Humana Clínica Multiprofissional de Ivaiporã deu palestras, enfocando a melhoria na qualidade de vida das mulheres.

A psicóloga Meire Lourenço Nunes falou sobre “Saúde Psicológica da Mulher”; a nutricionista Laís Timóteo, discorreu acerca dos “Benefícios da Semente de Linhaça”; e a fonoaudióloga Rudahyra Taisa O. de Oliveira explicou os “Cuidados e a Importância da Voz”.

Fizeram parte da equipe da Humana as psicólogas Ana Carolina Socoloski e Shirlei Tatiane dos Santos Hilleshein.

Durante as palestras, foram realizados sorteio de brindes, brincadeiras, mensagens e gincana, e uma confraternização que encerrou o evento em homenagem às mulheres.

16 de fev de 2010

DIVULGANDO LIVRO: Desenvolvimento infantil: Perspectivas de Atuação em Educação e Saúde



Organizadoras: Jáima Pinheiro de Oliveira / Tania Moron Saes Braga
Valor pela BOOK TOY: R$35,00 www.booktoy.com.br

"...a obra organizada pelas Professoras Jáima Pinheiro de Oliveira e Tania Moron Saes Braga, reúne textos que analisam diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, com as contribuições que se situam na interface entre saúde e a educação. Nessa análise, embora cada capítulo aborde aspectos específicos, os autores tiveram a preocupação de buscar a integração de diferentes temáticas tratadas, de modo a favorecer a visão global do processo evolutivo. É visível também o esforço para que concepções sociais acerca do desenvolvimento infantil e práticas educativas destinadas a crianças componham o quadro de referência para análise de questões específicas. A presença de capítulos que tratam de questões relativas á família, educação infantil e serviços de atendimento em saúde mostra claramente a preocupação em contextualizar convenientemente o fenômeno do desenvolvimento infantil. O leitor poderá fazer a sua leitura nessa perspectiva, interpretando o desenvolvimento infantil como um fenômeno cuja constituição depende também de construções sociais..." (Sadao Omote).


Sumário
Capítulo 1
Fatores de risco para o desenvolvimento infantil (Carmem Gracinda Silvan Scochi, Cristina Ide Fuginaga, Maeby Caseker Weiss, Jáima Pinheiro de Oliveira)

Capítulo 2
Aspectos socio-efetivos no desenvolvimento infantil (Tania Moron Saes Braga)

Capítulo 3
Aspectos familiares no desenvolvimento infantil (Kátia Simone da Rosa Bianchi)

Capítulo 4
Desenvolvimento sensório-motor: enfoque do nascimento aos 24 meses (Franciane Teixeira de Oliveira, Lígia Maria Presumido Braccialli)

Capítulo 5
Crescimento das estruturas e desenvolvimento das funções do sistema estomatognático (Cristiane Faccio Gomes)

Capítulo 6
O desenvolvimento das habilidades auditivas (Mônica Barby Muñoz, Michelly Santos de Andrade)

Capítulo 7
O processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem e sua interface com a educação infantil (Jáima Pinheiro de Oliveira, Tania Moron Saes Braga, Edna Zakrzevski Padilha, Ana Cândida Schier)

Capítulo 8
A criança e o interlocutor no processo de aquisição da escrita (Renata Pelloso Gelamo, Julyana Chaves Nascimento)

Capítulo 9
Atuação fonoaudiológica nas escolas: aspectos de audiologia educacional (Juliana de Conto, Carla Cristina Polido Pires Ricci, Ana Paula Zaboroski)

Capítulo 10
A educação infantil e as suas implicações no processo de desenvolvimento (Rafael Siqueira de Guimarães)

Capítulo 11
Algumas considerações sobre o favorecimento do processo de desenvolvimento e a aprendizagem (Ana Paula Zaboroski, Jáima Pinheiro de Oliveira)

Capítulo 12
Aspectos ligados à intervenção precoce (Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga)

Capítulo 13
Agentes comunitários de saúde (ACS) e educadores em saúde: uma parceria para a promoção do desenvolvimento infantil em ambiente domiciliar (Jáima Pinheiro de Oliveira, Michelly Santos de Andrade, Eliziane Gai, Gilmar de Carvalho Cruz)



Se tiver interesse em adquirir o livro pode entrar em contato comigo!

COTONETES MACHUCAM OS OUVIDOS?



Sim!! Não se deve introduzir nada nos ouvidos e, quanto menos mexermos neles, menos problemas teremos. O cerume é uma secreção produzida pela própria pele do conduto auditivo e tem a importante função de proteger tanto essa delicada pele quanto a membrana do tímpano. A falta dessa proteção facilita a ocorrência de irritações que evoluem para inflamações, otites ou para coceiras, chamada de eczema. Por isso, é um grande erro querer limpar o conduto auditivo; o cerume NÃO deve ser removido. O uso indevido do cotonete leva à remoção do cerume ou, então, faz com que ele seja deslocado para o fundo do conduto auditivo, causando as chamadas "rolhas de cerume" que obstruem a passagem do som.

Não é raro, também, observarmos acidentes com o cotonete, principalmente em crianças, com ferimentos às vezes graves para o ouvido. No máximo, sugere-se limpar a entrada do conduto externo com uma toalha durante o banho. De qualquer maneira, jamais introduzir cotonetes, botões, tampinhas, lápis, grampos de cabelo, fósforo ou feijão no ouvido e perambular pelo banheiro como muita gente faz. Isso é causa de acidentes gravíssimos.

Além disso, fique atento se crianças ou adultos:- Se assustam com portas que batem.
- Olha e/ou responde quando alguém chama.
- Escuta a campanhia da casa e do telefone

Se não reage a esses sons, é sinal que pode não estar ouvindo bem!
Não fique em lugares onde o barulho é muito forte. O excesso de barulho pode prejudicar a audição.

Se você ficar em duvida quanto à sua audição ou de algum conhecido, procure um médico ou um fonoaudiólogo, eles poderão esclarecer as suas dúvidas e realizar os exames necessários.

22 de jan de 2010

Adaptação: o fim de cinco mitos

Revista Nova Escola - Edição 005 | Dezembro 2009/Janeiro 2010

Para acabar de vez com velhas crenças sobre os primeiros dias dos pequenos na escola

Gustavo Heidrich (gustavo.oliveira@abril.com.br)

Crianças chorando e pais ansiosos. Esse é o cenário que se vê todo início de ano nas portas de creches e pré-escolas. O momento é tenso para eles e também para o professor, que, sem a exata compreensão sobre o que se passa com os pequenos, tenta a qualquer custo fazer com que eles se sintam à vontade no novo ambiente.

Para o coordenador pedagógico, as últimas semanas do ano ou a primeira antes do início das aulas são momentos ideais para ajudar a equipe a se preparar para essas situações. Um bom caminho é, nas reuniões de formação, promover discussões para derrubar alguns mitos que rondam o período de adaptação. Por isso, elegemos cinco ideias que caíram no senso comum e certamente estão na cabeça dos professores para que se tornem pauta dos encontros. Com as informações sobre os mitos que estão a seguir, será possível desconstruí-los, mostrando o que acontece com as crianças. Dessa forma, os professores terão mais segurança ao agir e certamente terão mais sucesso na integração da criança à escola sem traumas.

Débora Rana, coordenadora pedagógica da Escola Projeto Vida, em São Paulo, explica que, ao sair do ambiente familiar, a criança aos poucos deixa a fase de anomia, que é o desconhecimento das regras sociais, e passa para a heteronomia, ou seja, começa a reconhecer as normas de convívio, mas ainda não as incorpora. A adaptação, portanto, nada mais é do que uma passagem bem marcada da primeira para a segunda fase. "O processo é demorado e somente ao longo da vida ela chega à autonomia, tornando-se responsável pelos seus atos."

Já para os pais, o momento é mesmo de nervosismo e apreensão: "Eles ainda não têm total confiança na escola e precisam de informações para se sentirem seguros", afirma Cisele Ortiz, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. É preciso saber lidar com os familiares, pois eles são importantes no processo de aprendizagem. Cabe ao coordenador pedagógico intermediar a relação entre a escola e os pais, suprindo-os com os dados necessários sobre a rotina e a interação dos filhos com as propostas pedagógicas.

Mito 1
Criança que não compartilha brinquedos não está adaptada


Ilustrações: Guazzelli
"Você tem de dividir o brinquedo com seu amiguinho." "Isso não é seu, empreste para ele." Frases como essas são comuns em uma sala de Educação Infantil. Para a criança, muitas vezes, elas podem soar como uma ordem, uma obrigação, causando choro e recusa. "Aos olhos dos adultos, a negação da criança em dividir é vista como egoísmo", esclarece Débora Rana. Criar uma situação ameaçadora, aumentando o tom de voz ou sugerindo uma punição caso a criança não divida ou colabore com um colega, não é o caminho.

O que acontece Nos primeiros anos de vida, a criança encontra-se num momento autocentrado do seu desenvolvimento e desconhece as regras de convivência social. A compreensão do sentido e do prazer de compartilhar virá posteriormente, depois de um processo mais amplo de reconhecimento do outro.

Como orientar os professores Nas reuniões de formação, leve referências teóricas sobre as fases de desenvolvimento das crianças e seus comportamentos, como os estudos do educador francês Jean Piaget (1896-1980). O trabalho com estratégias de partilha e colaboração pode ser facilitado se o professor for orientado a montar em sala grupos menores, com duas ou três crianças, e a promover combinados - como o de que a criança pode ficar com um brinquedo por certo tempo, mas que depois deve cedê-lo ao colega. Agir de maneira firme e ao mesmo tempo acolhedora, a fim de mediar os conflitos e não negá-los ou resolvê-los de forma impositiva, é outra dica. Na hora do impasse, o ideal é expor o conflito e descrever para a criança as consequências de querer o objeto só para ela. Além disso, incentivar que elas verbalizem o que estão sentindo e encontrem soluções em conjunto ajuda no processo de mudança de atitude.

Mito 2
Criança adaptada é extrovertida e participativa


Ilustração: Guazzelli
Durante uma brincadeira de roda, a turma está toda junta, cantando. Apenas uma criança olha para o teto, cantarola baixinho alguns versos e não interage com as outras. A professora chama a atenção: "Cante mais alto! Você está triste? Por que nunca participa?" Certamente, quem age assim pensa que está incentivando a interação. Contudo, pode ocorrer o efeito contrário. "O mais adequado é se perguntar qual estratégia seria melhor para que a criança responda às atividades", diz Ana Paula Yasbek, coordenadora pedagógica do Espaço da Vila, em São Paulo. Elogiar apenas os alunos mais participativos aprofunda o sentimento de não-pertencimento.

O que acontece Existem as crianças extrovertidas, como também as tímidas. O respeito à personalidade de cada uma é essencial para o processo de adaptação e o direito à timidez precisa ser assegurado.

Como orientar os professores As estratégias para integrar as crianças devem ser procuradas pelo conjunto de educadores - e, certamente, com a ajuda dos pais. Para tanto, uma entrevista do coordenador pedagógico com os familiares sobre as preferências dos filhos é fundamental. Esse material será cruzado, durante a formação, com os registros de classe, relatórios de adaptação e portfólios. O que está sendo proposto atende às necessidades da criança? É possível também fazer visitas à sala ou gravar vídeos para perceber as práticas que funcionam melhor para cada criança e para o grupo.

Mito 3
Na Educação Infantil, todos precisam ser amigos


Ilustração: Guazzelli
"Que coisa feia! Dá a mão para o seu colega." Fazer com que as crianças se tornem amigas não é tarefa da escola, mas ensinar a conviver é um conteúdo imprescindível na Educação Infantil. Nem crianças nem adultos são amigos de todas as pessoas que conhecem e não por isso a convivência pessoal ou profissional é inviável. O papel do professor é incentivar e valorizar o que as crianças têm em comum. A escolha sobre com quem elas desejam ter uma relação mais próxima é absolutamente dela.

O que acontece No período de adaptação, primeiro há a criação do vínculo para que o trabalho escolar aconteça. Ele deve estar baseado no respeito entre as crianças e entre elas e os professores. Aos poucos - e naturalmente -, a afetividade vai sendo construída baseada nas afinidades dentro do grupo.

Como orientar os professores Os educadores devem intervir apenas quando a amizade prejudica a participação nas atividades (por exemplo, quando uma criança só quer ficar com alguns colegas e se isola do coletivo). A professora precisa ser orientada a desenvolver um olhar atento sobre as situações ideais para explorar os gostos comuns em favor da aprendizagem. Nos encontros de formação, invista na criação de oportunidades para que os pequenos se apresentem e falem dos seus objetos preferidos e discuta as situações reais que acontecem em sala.

Mito 4
Quando estão integrados ao grupo, os pequenos não choram mais


Ilustração: Guazzelli
Basta chegar à escola que as lágrimas aparecem. Se a mãe vai embora, elas aumentam. Na hora de brincar, de comer, de ler, choro. Muitos professores ficam desesperados e tentam distrair a criança mostrando imagens ou arrastando-a para um canto com brinquedos. Um engano, pois essa atitude pode atingir o objetivo imediato - que é acabar com o choro -, mas não resolve o problema.

O que acontece "Essa manifestação é apenas um sintoma do desconforto da criança", afirma Débora Rana. Interpretar esse e outros sinais - como inapetência e doenças constantes - é fundamental durante a adaptação. O que eles significam? Por outro lado, a ausência do choro não quer dizer que a criança está necessariamente se sentindo bem: o silêncio absoluto pode ser um indicador de sofrimento.

Como orientar os professores Uma criança que passa longos períodos chorando necessita de acompanhamento mais próximo. Na falta de auxiliares, ele pode ser feito pelo próprio coordenador até a criança se sentir mais segura. Ajuda também ter um plano para receber bem as crianças na primeira semana de aula. O uso de tintas, água e brincadeiras coletivas variadas é um exemplo de práticas atraentes que ajudam os pequenos a se interessar pelo novo espaço. Fazer com os professores uma orientação programada para que as crianças tragam objetos de casa - como fraldas, panos e brinquedos, que vão sendo retirados paulatinamente - auxilia a reduzir a insegurança.

Mito 5
A presença dos pais nos primeiros dias só atrapalha a adaptação


Ilustração: Guazzelli
Na porta da sala, uma dezena de pais se acotovela querendo ver os filhos em atividade. A cena, pesadelo para muitos professores de Educação Infantil, que não sabem se dão atenção às crianças ou aos adultos, é representativa de um elemento essencial para que a adaptação aconteça bem: a boa integração entre a família e a escola, que deve acontecer desde o começo do relacionamento.

O que acontece Nem todo pai ou mãe conhece as fases de desenvolvimento da criança e as estratégias pedagógicas usadas durante a adaptação. Eles têm direito de ser informados e essa troca é fundamental na transição dos pequenos do ambiente doméstico para o escolar. A ansiedade dos pais vai diminuir à medida que a confiança na escola aumenta - e isso só acontece quando há informações precisas sobre a trajetória dos pequenos.

Como ajudar os professores É função do coordenador pedagógico acolher as famílias, fazer entrevistas para conhecer a rotina da criança e explicar o funcionamento e a proposta pedagógica da escola, além de estabelecer um combinado sobre a permanência dos pais na unidade durante a adaptação. Criar juntamente com os professores um guia de orientação para eles com dicas simples - como conversar com a criança sobre a ida à escola, a importância de levá-la até a sala e de chegar cedo para evitar tumulto - pode evitar problemas. Além disso, desenvolver um relatório de distribuição periódica, com informações sobre os progressos na aprendizagem e na socialização das crianças ajuda a aplacar a ansiedade dos pais.




Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A Construção do Real na Criança, Jean Piaget, 392 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-1777, 36,90 reais
Os Fazeres na Educação Infantil, Maria Rosseti e outros, 208 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 43 reais
Manual de Educação Infantil, Anna Bondioli e Suzanna Mantovani, 356 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 3027-7000, 66 reais


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/coordenador-pedagogico/adaptacao-fim-cinco-mitos-educacao-infantil-515710.shtml

19 de jan de 2010

Ler em voz alta ajuda a memorizar

Estudo com crianças de 8 a 9 anos de idade compara eficácia da memorização de textos
Ricardo Zorzetto (www.unifesp.br)


A leitura de textos em voz alta pela própria criança é a melhor modalidade lingüística para ajudar a memorização e, conseqüentemente, a aprendizagem no início da idade escolar.
É o que sugere um estudo que avaliou estilos de linguagem que facilitam a memorização em crianças, tese de doutorado que a fonoaudióloga Zilca Rossetto de Moraes defendeu no Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Unifesp. Esse é um dos primeiros trabalhos do país sobre a memorização pelo reconto de uma história a partir de diferentes estilos de linguagem.
Conscientizar os professores - Segundo a pesquisadora, o objetivo do estudo é divulgar aos professores o estilo mais eficiente para a memorização, principalmente para alunos das primeiras séries do ensino fundamental. "É importante conscientizar os professores de que, segundo a disciplina, deve ser usado um estilo de linguagem diferente", diz.
A pesquisa, realizada em duas etapas, avaliou alunos da terceira série do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de Santa Maria (RS), com idades de 8 e 9 anos.
Fases da pesquisa - Numa primeira fase, 80 crianças participaram de um teste para selecionar uma entre quatro histórias que seria usada para o estudo. A história escolhida foi "O Urubu e as Pombas", que integra uma bateria de testes neuropsicológicos infantis. Na segunda parte, Zilca aplicou essa história a outras 80 crianças, divididas em quatro grupos de 20, usando em cada um deles um estilo diferente de linguagem.
No primeiro grupo, a história era lida em voz alta pela criança. No segundo, o aluno lia em silêncio. Em outro estilo, a pesquisadora lia a história para as crianças. E, no último, Zilca contava a história sem ler. Em todos os casos, as crianças tinham de recontar a história, para mostrar a capacidade de memorização.
Os resultados do estudo apontaram que os estilos mais eficientes foram a leitura em voz alta e a silenciosa, ambas feitas pela criança.
Na leitura em voz alta feita pela criança, os alunos lembravam em média 6,85 orações das 14 que compunham a história. Quando a criança lia em silêncio, ela era capaz de lembrar 6,03 orações.
Melhor desempenho - Segundo Zilca, que é professora do Departamento de Otorrinofonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS), o melhor desempenho no caso da leitura pelo próprio aluno em voz alta decorre do fato de, além de haver o estímulo visual, ocorrer a utilização do estímulo auditivo, que reforça os processos de integração e evocação do texto lido.
O pior desempenho ocorreu quando a pesquisadora lia a história para os alunos: as crianças recordavam apenas 3,61 orações. "Embora esse último não favoreça a memorização, ele é muito usado nas escolas", afirma Zilca.
Na opinião da fonoaudióloga, os resultados são importantes porque mostram que a adoção de determinado estilo de linguagem poderia ajudar a reduzir a dificuldade de aprendizado e a diminuir índices de reprovação e evasão escolar.

O Urubu e as Pombas
"Um urubu ouviu dizer que na casa das pombas havia muita comida. Ele se pintou de branco e voou até a casa das pombas. As pombas acharam que ele era uma delas e deixaram ele entrar, mas ele continuou a gritar como um urubu. As pombas descobriram que ele era um urubu e o expulsaram. Ele tentou se juntar novamente aos urubus, mas estes não o reconheceram e não o aceitaram."
(História retirada da bateria de testes neuropsicológicos de Luria Nebraska, adaptada e traduzida para o português)


"Era um urubu e daí ele entrou na casa. Ele era um urubu e daí expulsaram ele. Daí ele se juntou com os outros urubu e os outros urubu não reconheceram e não quiseram ficá com ele."
Versão de quem ouviu a leitura da história.


"Tinha um urubu, ele foi lá, que tinha comida das pomba, ele foi lá. Aí as pomba pensaram que ele era uma pomba também e daí elas deixaram ele entrá. Aí depois, depois que elas descobriram e deram comida delas pra ele também. Depois que elas descobriram que ele era um urubu, daí elas não quiseram mais ele. Daí depois ele tentou entrá na casa dos urubu de novo e ninguém quis ele..."

Versão de quem fez leitura silenciosa.


"O urubu, ele ouviu dizê que as pombas tinham muita comida na casa delas e daí ele se pintou de branco e voou prá lá. As pombas pensaram que ele era um urubu. Elas pensaram que era uma pomba e daí as pombas aceitaram. Daí ele continuou a gritar como um urubu, daí as pombas descobriram. Daí expulsaram e ele tentou voltar aos urubu e não reconheceram e não aceitaram."
História recontada por criança que leu texto em voz alta.