16 de out de 2009

DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA - “A GAGUEIRA NA ESCOLA”

No dia 22 de outubro, comemora-se em todo o mundo o dia de atenção à gagueira, com várias ações preventivas e nesse ano o tema é “a gagueira na escola”. A Gagueira é considerada uma desordem na fala que pode afetar toda a comunicação do indivíduo. O tratamento dessa alteração é de competência do Fonoaudiólogo e na maioria dos casos requer uma atuação multidisciplinar, principalmente com a presença de um Psicólogo. Sua origem é considerada biopsicossocial, ou seja, podemos ter fatores individuais e ambientais que originam a gagueira. Os indivíduos que gaguejam normalmente tem algumas características em comum, dentre as quais podemos citar: evitam o contato direto nos olhos do ouvinte, porque provavelmente não querem ver as reações das pessoas à sua gagueira; tem padrões diferenciados de respiração; evitam algumas palavras, substituindo-as por outras de significado semelhante e principalmente evitam a gagueira, ou seja, tentam falar pouco e de maneira simplificada. Especificamente sobre a caracterização da fala do indivíduo gago, de modo geral, todos conseguem identificá-la, pois a gagueira apresenta rupturas perceptíveis e que não são comuns a todos os falantes, por exemplo: bloqueios, repetições de sons no início da palavra, prolongamento de sons no início e no meio das palavras, dentre outros. Há inúmeras maneiras de se compreender e intervir na gagueira e como o tema da Campanha de 2009 é “a gagueira na escola”, é de extrema importância reafirmar aqui o papel que o educador possui em relação à multiplicação do conhecimento, assim como de mudanças de conduta frente a esse distúrbio de fala. Sem dúvida, o professor é essencial na tarefa de modificar a falta de conhecimento e o preconceito que envolve a gagueira e as pessoas que gaguejam, pois normalmente os primeiros sintomas dessa alteração surgem ou são percebidos na escola. Sendo assim, o ambiente escolar torna-se um dos principais em relação à prevenção da gagueira, haja vista o tempo considerável que as crianças passam nessa instituição. Normalmente quando há alunos com esse problema em sala de aula, pode acontecer de parte da turma rejeitá-lo ou menosprezá-lo, apelidando-o, por exemplo. Ou seja, esse é um dos alunos com grandes possibilidades de sofrer bullying. Nesse momento, a atuação adequada do professor já é um ótimo modelo, mas se esse aluno for alvo de desrespeito dos demais alunos, sugerimos a apresentação de uma aula geral sobre as diferenças individuais e enfatize o necessário respeito a elas. Conversas particulares também podem ser necessárias, quando um aluno em especial se destacar no papel de desrespeito. Aproveitamos também para fornecer outras dicas, para serem seguidas diante de uma pessoa que gagueja:

1. Ouça essa pessoa: escutar o que ela está dizendo é muito mais importante do que prestar atenção no modo como ela está falando.
2. Dê a ela o tempo que for necessário para que ela se comunique: evite completar as palavras por ela, mantenha-se tranquilo e receptivo, fazendo pequenas observações que demonstrem interesse e entendimento.
3. Jamais peça a pessoa para “respirar e repetir o que ela quer falar”: fale mais devagar e aguarde a pessoa terminar, para somente então, você também falar.



Enfatizamos ainda que quanto mais cedo for realizado o encaminhamento para um Fonoaudiólogo, maiores serão as possibilidades de recuperação. Embora a gagueira não tenha cura, há grandes ganhos com a terapia, pois a fluência da fala é recuperada, não sendo mais comuns os bloqueios, as repetições e prolongamentos. A terapia permite que o indivíduo tenha uma vida plena com uma comunicação satisfatória.


Jáima Pinheiro de Oliveira (Professora do Departamento de Fonoaudiologia da UNICENTRO); Ana Paula Zaboroski Oleinik (Fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Educação de Rio Azul/PR e da Clínica CDOI de Irati/PR); Ana Cândida Schier (Professora do Departamento de Fonoaudiologia da UNICENTRO e Fonoaudióloga da APAE de Porto União/SC); Rudahyra Oswald de Oliveira (Fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Educação de Pitanga/PR e Estagiária Pedagógica Voluntária da UNICENTRO).
Contato: jaimafono@gmail.com

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