14 de set de 2009

Atuação Fonoaudiológica no Âmbito da Saúde Pública



Autora: Ana Luiza de Souza Bezerra.

O presente artigo tem como objetivo sistematizar estudos e reflexões sobre a fonoaudiologia na saúde pública, discutindo propostas voltadas ao sistema de saúde no Brasil. As transformações atuais apontam para uma integração interdisciplinar e intersetorial nas propostas de promoção de saúde. A atuação fonoaudiólogica no âmbito da saúde pública vem crescendo no decorrer dos últimos anos por todo o Brasil.
As atuais políticas de saúde internacionais e nacionais apontam para as necessidades de uma mudança de paradigma na atenção à saúde, deslocando o eixo patologia/ tratamento/ controle/ prevenção de doenças para o eixo saúde/promoção da saúde(2). Os problemas da saúde deixam de ser analisados a partir da perspectiva individual para serem abordados de forma integral na perspectiva da promoção de saúde, e de ser responsabilidade de profissionais específicos e passam a ser interdisciplinares e parcerias intersetoriais, envolvendo diversos setores da sociedade, na implantação de políticas públicas e ambientes saudáveis para a equidade e melhoria da qualidade de vida(4)
Com a reestruturação do sistema de saúde a fonoaudiologia se inseriu na atenção básica e deve atuar em todas as fases e níveis de atenção da saúde (3)(8). Os níveis de prevenção são divididos em primária, secundária e terciária. A prevenção primária se faz com a intercepção dos fatores pré-patogênicos e inclui a promoção da saúde e a proteção especifica, o nível secundário é realizado no individuo, já sob ação de patogênico ao nível de estado de doença, e inclui o diagnóstico precoce e a limitação da invalidez; a prevenção terciária consiste na prevenção da incapacidade através de medidas destinadas a reabilitação(7).
A prevenção realizada pelo fonoaudiólogo consiste em eliminar os fatores que interferem na aquisição e desenvolvimento dos padrões da fala, linguagem e audição (1). Com medidas de caráter amplo e especificas.
Na prevenção primária o fonoaudiólogo visa eliminar ou inibir fatores responsáveis pela ocorrência e desenvolvimento das patologias de comunicação através de medidas de ordem geral e de combate a determinadas patologias fonoaudiológicas especificas, podendo ser incorporadas de forma direta e indireta com estratégias de imunização, saúde ocupacional, educação nas escolas, aconselhamento genético, cuidados pré-natais, tratamento precoce, planejamento familiar, screening, cuidados médicos contínuos, controle da qualidade ambiental, qualidade de vida, e uso de alimentos específicos.
Na prevenção secundária a ação diagnostica é rápida e o tratamento é imediato com objetivo de curar ou estacionar o processo evolutivo da doença, evitando a contaminação de terceiros se a moléstia for transmissível, a fim de evitar complicações e seqüelas, evitar a invalidez prolongada, através de ações como provisão de meios para limitar a invalidez e evitar a morte, inquérito para descobertas de casos na comunidade, exames periódicos, detecção precoce de casos, pesquisas de triagem e tratamento para evitar a progressão.
Na prevenção terciária o principal objetivo é de recolocar o individuo afetado em sua posição útil na sociedade com a máxima utilização de sua capacidade restante, reintegrando esse individuo na sociedade com ações de reabilitação fonoaudiológicas, emprego para o reabilitado, prestação de serviços hospitalares e comunitários para reeducação e treinamento para utilização máxima das capacidades, educação do púbico e indústria no sentido de que empreguem o reabilitado, emprego tão completo quanto possível e utilização de asilos. Atualmente a reabilitação passa a ter importância em decorrência do aumento da expectativa de vida.
O princípio fundamental é que a responsabilidade com a saúde não cesse, estenda-se durante toda a vida, buscando melhoria, condições e qualidade de vida(1).
Atualmente a fonoaudiologia conquista um grande espaço na saúde pública com a integração em equipes do núcleo de apoio à saúde da família (NASF), de acordo com a portaria GM nº 154, de 24 de janeiro de 2008. O NASF tem como objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações de atenção básica, bem como sua resolubilidade, apoiando a inserção da estratégia de saúde da família na rede de serviços e o processo de territorialização e regionalização a partir da atenção básica(5).
O profissional de fonoaudiologia está presente em todos os segmentos da saúde, desde a baixa até a média e alta complexidade. Com a sua inserção no NASF a fonoaudiologia ficará cada vez mais reconhecida. O trabalho que o fonoaudiólogo realizará junto aos pacientes na atenção básica irá dar a dimensão da sua importância no dia-a-dia(5).
O fonoaudiólogo deve atuar promovendo à saúde e a qualidade de vida como estratégias de prevenção de doenças junto de ações multiprofissionais. Ações como saúde da mulher, da criança, do adulto e do idoso de forma direta e indireta com essas populações. De forma direta realizando programas de orientação do desenvolvimento da linguagem, audição e das funções estomatognáticas (sucção, mastigação, deglutição, fonoarticulação e respiração), entre outras. Na forma indireta atuando na realização de diagnósticos e tratamento precoce em linguagem, motricidade oral, voz e audição (9).
É muito interessante nós profissionais de fonoaudiologia buscarmos um pouco mais de saber e de capacitação na área de saúde pública e conhecermos o que é o sistema único de saúde, e não se voltarmos apenas para área clínica de caráter particular . É preciso ser capacitado e ter um diferencial para mostrasse ao gestor e integrasse em equipes. Faço minha as palavras de Lessa (5): "Se não começarmos a trabalhar na direção do envolvimento do fonoaudiólogo com a política de saúde e não um fonoaudiólogo que apenas quer atuar em saúde pública sem preparo para isto acabará não fazendo com que nosso discurso seja compreendido pelos outros, se não conseguimos ter a compreensão do todo, chegaremos a nada".
No Brasil, já existem capacitações regulamentadas pelo ministério da saúde e da educação com modalidade de formação em serviço pós- graduação latu senso, como a residência multiprofissional em saúde que é fundamental no preparo de profissionais qualificados para assistência a saúde da população brasileira e pra a reorganização do processo de trabalho em saúde na direção dos princípios e diretrizes constitucionais do SUS, dando importância a qualificar todas as profissões em saúde. O ministério da saúde também esta investindo na carreira do profissional de saúde da família e em gestão de saúde, lançando a especialização à distância na universidade aberta ao SUS (UNASUS). Nós fonoaudiólogos precisamos agora fazer a nossa parte.

Referências Bibliográficas:

1.ANDRADE,C.R.F. Fases e níveis de prevenção em fonoaudiologia - Ações coletivas e individuais. In: VIEIRA,R.M, et al. Fonoaudiologia e saúde púbica. Carapicuíba: Pró-fono, 1995.
2.BRASIL. Ministério da saúde, Governo federal. Promoção da saúde. Brasília:2001.
3.BEFI, D. A inserção da fonoaudiologia na atenção primaria à saúde. In:____(org.). Fonaoudiologia na atenção primaria à saúde. São Paulo: Lovise, 1997, p.25-33.
4.GONÇALVES,C.G.O, et al. Fonoaudiologia e saúde do trabalhador: a questão da saúde vocal do professor. Saúde em revista. Piracibaca,7(15): 45-51,v.7, 2005, 73p.
5. LESSA, F. Formação adequada é essencial para inserção em saúde pública. Revista da fonoaudiologia, 2º região. n.60, Mar/ abr. São Paulo, 2005. p.14-16.
6.NASF, fonoaudiologia conquista espaços na saúde pública. Jornal do conselho federal de fonoaudiologia. n.36, ano IX, jan/fev/mar de 2008, p.4-5.
7.ROUQUAYROL,M.Z; ALMEIDA .F.N. Epidemiologia, historia natural e prevenção de doenças. In____.Epidemiologia e saúde. 6º Ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2003.
8.SAMPAIO, M.M; GONÇALVES , A. Fonoaudiologia em saúde pública: apreciações, preliminares a propósito de experiências pioneiras em São Paulo. Revista de saúde pública, São Paulo, 14:215-23, 1980.
9.WERTZNER, H.F. Ambulatorios de fonoaudiologia em unidades básicas de saúde. In: Befi, D (org). Fonoaudiologia na atenção primária à saúde. São Paulo: Lovise, 1997, p.161-176.

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