8 de jun de 2009

Desenvolvimento da Linguagem e suas Alterações

A aquisição da linguagem e da comunicação desenvolve-se segundo etapas de ordem constante, ainda que o ritmo de progressão possa variar de caso a caso; e segundo o processo normal do desenvolvimento, pode-se esperar uma variação de aproximadamente 6 meses. Esse desenvolvimento não depende unicamente de fatores maturativos, depende também do estado do repertório lingüístico; de suas capacidades potenciais individuais; dos fatores ambientais que interviram ou estão intervindo em detrimento do desenvolvimento da linguagem e das alterações de ordem emocional ou cognitiva que a própria criança tenha porventura incorporado de situações do passado; de uma relação adequada e efetiva com o ambiente familiar e escolar; do nível cultural da criança; como também, da estimulação ambiental prévia e atual.

Fatores que podem estar associados à evolução normal da linguagem:

Fatores orgânicos ou biológicos: de ordem genética, neurológica ou anatômica.

• Integridade do Sistema Nervoso Central – anoxia neonatal;
• Desenvolvimento intelectual normal – desenvolvimentos neuropsicomotor;
• Integridade do Sistema Auditivo – deficiência auditiva;
• Integridade dos Órgãos Fonoarticulatórios (lábios, língua, palato, bochechas, dentes)

Por exemplo, a criança fissurada. As primeiras interações sócio-afetivas, base da comunicação, podem estar sendo afetadas, pois essa malformação pode estar gerando efeitos sobre a mãe e essa quebrar o vínculo com seu bebê, podendo surgir temores, sentimento de incompetência, rejeição, até atitude de tolerância ou proteção excessiva. Por isso é necessário saber o estado psicológico da mãe e do grupo familiar. Além da fissura podemos também destacar a integridade do sistema auditivo, pois perdas auditivas geram problemas de linguagem e com esses, alterações psicológicas.


Os Fatores psicológicos podem aparecer sem necessariamente estar acompanhado de um fator orgânico: temos então, ansiedade devido à separação prolongada, rejeição ou superproteção materna e fatores emocionais e afetivos da criança. Esses fatores afetam a comunicação sócio-afetiva (primeira comunicação).
Fatores sociais: ambientes tensos de brigas freqüentes entre familiares. Existem também fatores que alteram os processos de transmissão / aquisição da linguagem, sem necessariamente comprometer a comunicação social e afetiva da criança. Nesse caso encontram-se atrasos devido a bilingüismo. Pode acontecer também da mãe ter medo de ter contato com o bebe e assim quase não o toca, não estimulando ele de forma adequada.
É preciso deixar claro que durante os 3 primeiros anos de vida da criança, o surgimento da linguagem possui uma relação muito estreita com a relação que ocorre entre a criança e sua mãe. Por isso a importância da estimulação e atenção dos pais.

Desenvolvimento normal da linguagem:

Existem quatro períodos em que a criança desenvolve a sua habilidade lingüística, sendo esses: Período Pré-linguístico (0-12 meses); Período de Desenvolvimento Sintático (12-30 meses); Período de Expansão Gramatical (30-54 meses); e Período das Últimas aquisições (a partir dos 54 meses).


(0-12 meses)
Habilidades de percepção; distinção de vozes humanas e reconhecimento do rosto materno.
Primeira comunicação – choro e sorriso reflexo
Procura fonte sonora.
Vocalizações começam a adquirir características de linguagem propriamente dita com ritmo, entonação e tom – balbucio
Usa gestos indicativos.
Compreensão de palavras familiares como mamãe, nenê, papai.

(12-30 meses)
Primeiras palavras funcionais – crescimento quantitativo de produção e compreensão.
Localiza fonte sonora – gostando de música.
Frases de 2 elementos (papai // aqui) e uso do NÃO isolado.
Primeiras interrogações: Que? Onde?
Compreensão maior que expressão.
Identifica objetos familiares através de nomeação.
Identifica partes do próprio corpo e logo, no outro.
Repete palavras familiares.
Tenta contar.
Seqüência de 3 elementos (nenê come pão) – fala telegráfica
Usa o nome próprio e gestos representantes.

(30-54 meses)
Grande ampliação do vocabulário.
Aquisição das regras gramaticais.
Imitações retardadas
Aponta cores primárias e identifica objetos pelo nome e uso.
Maior complexidade das frases interrogativas.
Uso de pronomes, verbos, conjunções e advérbios (mesmo havendo algumas confusões).

(a partir os 54 meses)
Aperfeiçoamento geral da linguagem, no entanto não chega a aquisição completa antes dos 7 a 8 anos aproximadamente.



Atraso da linguagem:


Entende-se como o não surgimento na idade em que deveria ocorrer.
Há muitas crianças de 3 a 4 anos que são conduzidas ao médico ou educador porque não falam. Múltiplos fatores estão em jogo e implicam sua ações de tal maneira que cada caso é um caso particular.
Algumas crianças apresentam um déficit da linguagem na pequena infância (2-5 anos). Durante esse período, elas usam a linguagem gestual acompanhado de sons que em geral possuem aparência de fonemas, gritos ou ruídos. A criança se manifesta através de mímica e conduz seus pais em direção do que quer, apontando o objeto desejado. Isso nos faz compreender a reflexão das mães: “meu filho não fala, mas compreende tudo”.
A ausência de linguagem pode fazer com que a criança não seja sempre compreendida, com isso pode se tornar irritada e/ou agressiva. Pois elas compreendem a linguagem falada ao redor delas e respondem por gestos, reconhecendo perfeitamente os nomes das pessoas, os objetos, as frases. Assim, esse atraso ou retardo na aquisição da linguagem gera problemas afetivos piorando ainda mais a evolução da criança.
É preciso ficar atento a outros aspectos, tais como a forma como a criança interage com seu interlocutor; se existem situações que propiciem a comunicação; se faz uso de comunicação gestual; se a linguagem é inteligível; habilidades motoras; desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento emocional.

2 comentários:

  1. Rudahyra, você descreveu nesse último parágrafo o meu filho Cauã. Ele tem três anos e 2 meses. Fala pouquíssimo. Faz exatamente o que você descreveu. Ele fala "Da" quando quer muito alguma coisa. Ele aprende algumas palavras, mas depois não quer mais fala-las. Ele falava Mamã, Auau, ás vezes fala xiii quando vai fazer xixi. Ele é bastante comunicativo, mas não com palavras. Ele já foi no Otorrino e ele disse que estava tudo normal. Ele está fazendo psicomotricidade na água, porque ele tem os pés um pouco chatos e acaba andando torto por causa disso. As fisioterapeutas que trabalham lá me disseram que a fala deve estar sendo prejudicada pela falta de segurança que ele sente no andar. Ele não pula e tinha pouca força nas pernas. Agora já está bem melhor das perninhas, e ele está fazendo mais sons e se arriscando mais a tentar falar, mas ainda bem incipiente. Ele começou agora um acompanhamento com a fonoaudióloga (ele fez um tempo com uma, mas não pude continuar e eu não percebia resultado), gostei dela, é bastante organizada e tem muita experiência e estudo nesta área. Queria saber de você o que você acha? Estão me dizendo para levá-lo num neurologista. Não sei.. Ademais, você pode me dizer o que você acha do caso? Você já viu casos semelhantes? Se sim, o que aconteceu? Queria tanto saber de outras experiências. Grata. Carla

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  2. Amiga!!!
    Sou fã do seu blog... ele é muito útil!!
    Abraços,

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